CAMPEONATO FEMININO DE FUTEBOL

Emoções no feminino. Emoções que passaram pelo futebol acompanhando a nossa selecção que jogou pouco. Com aqueles jogadores que actuam em Portugal esperava-se um pouco mais, mas faltou acertar na baliza adversária e ser menos frágeis e medrosos, com as devidas excepções. Mas há muito mais futebol para ver. A COPA AMÉRICA e o Campeonato Mundial de Futebol Feminino. Um campeonato mundial sem o destaque e a pompa do masculino, mas com jogadoras belíssimas, com um comportamento disciplinar exemplar, distinto dos homens que estão sempre a reclamar com o árbitro. Quando é que o mundial feminino vai ter a mesma projecção que o masculino? Para além de jogarem bem, as jogadoras de futebol deixaram de ter aquele ar másculo e passaram a ser simplesmente jovens que gostam e sabem jogar futebol, bonitas ou feias. Se falarmos de beleza bem podemos citar a ausência dela nos jogadores de futebol, com algumas excepções. O Mundial feminino reúne atualmente 24 selecções a cada quatro anos, e surgiu como ideia dos delegados da FIFA durante o Mundial de 1986, no México. Os Mundiais femininos de 1999 e 2003 foram realizados nos Estados Unidos.O sucesso da seleção americana é resultado do desenvolvimento do desporto nas escolas e universidades e o domínio da equipa norte-americana, deve-se à forma sustentável e sólido, geração a geração, com que se organiza este desporto e diz-se, também motivado pela passagem de Pelé pelo futebol norte-americano nos anos 1970. O futebol feminino vive um momento de especial crescimento no interesse do público e das marcas, lê-se no Blog DIBRADORAS. Nas vésperas do Campeonato do Mundo de Futebol Feminino em França, que termina no dia 7 as marcas, Nike e Adidas aderiram e no que toca a transmissões televisivas,  pela primeira vez a Globo apresentou as partidas em sinal aberto. Na visão da jornalista Renata Mendonça, uma das fundadoras do blog Dibradoras, que traz uma perspectiva feminina do universo das chuteiras, o cenário favorável às mulheres no futebol é resultado de um movimento que partiu não apenas do bom desempenho das jogadoras, mas também do interesse da audiência feminina que foi abraçado pelas marcas. O futebol de senhoras ainda não gera o mesmo interesse que o dos cavalheiros a nível de espetadores ou patrocinadores. E as jogadoras sabem isso: sentem-no na pele a cada jogo... e na conta bancária a cada mês. Mas essa é uma realidade que talvez não venha a verificar-se durante muito mais tempo - pelo menos, não com as discrepâncias que ainda se sentem atualmente. A discussão é antiga e as reivindicações também. Mas nunca se fizeram sentir com tanta intensidade como agora. Começou logo com a ausência (mais do que anunciada) de Ada Hegerberg, a primeira Bola de Ouro feminina da história e que desde 2017 recusa actuar pela seleção da Noruega, em protesto contra o que considera serem as desigualdades de tratamento da federação do país nórdico para com as jogadoras da seleção feminina em relação aos atletas masculinos. E não apenas nos prémios, mas também nas condições de treino e no reconhecimento para as ligas masculina e feminina. Antes do início da prova tornou-se viral um vídeo da seleção feminina alemã com uma mensagem contundente. “Jogamos por um país que não sabe sequer o nosso nome”, referem as jogadoras, fazendo questão de lembrar que já foram campeãs da Europa por oito vezes, tendo recebido como prémio na primeira vitória... um serviço de chá. “Nunca lutámos só contra as adversárias, mas também contra o preconceito. Não temos bolas, mas sabemos usá-las”, disparam, terminando de forma ainda mais directa: “Não se preocupem, não têm de saber quem nós somos. Só têm de saber o que queremos: jogar o nosso jogo”. Havia, obviamente, uma razão para tal. Marta uma das melhores jogadoras do mundo, declinou os patrocínios de todas as grandes marcas desportivas por uma razão muito “simples”: nenhuma lhe pagava o mesmo que paga a um futebolista masculino de topo. Nas botas, apenas um pequeno símbolo azul e rosa, referente a uma campanha pela igualdade de género, a “Go Equal”, que rapidamente se difundiu nas redes sociais. Esta campanha surgiu quase em simultâneo com um artigo da revista France Football onde era revelado que Neymar, estrela da seleção masculina do Brasil e a mais cara transferência do futebol mundial (222 milhões de euros ao trocar o Barcelona pelo PSG, em 2017) mas que nunca foi eleito melhor do mundo -, ganha 269 vezes mais do que Marta: qualquer coisa como 90,4 milhões de euros anuais... contra 34 mil. Ada Hegerberg, que actua nos franceses do Lyon - e que desde maio dá a cara pela campanha “#TimeForChange”, da UEFA (um plano de cinco anos, entre 2019 e 2024, em que promete apoiar, guiar e elevar o futebol feminino e a posição das jogadoras na Europa), ganhará cerca de 40 mil euros por época. As nossas emoções hoje voltaram-se para a descriminação que existe a nível mundial, em relação futebol feminino. Andámos à procura de opiniões sobre o assunto e encontrámos um blog, do qual retirámos algumas ideias. (Dibradoras de  Roberta Nina e Renata Mendonça)

Luisa Fançony
Directora Geral
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Programa EMOÇÕES NO FEMININO do dia 13 de Junho de 2019

Ouvintes muito boa tarde
Viajar é preciso. É um slogan antigo sempre renovado para quem tem possibilidades de o cumprir. Cada viagem trás coisas novas mesmo que seja para o mesmo local. Mesmo que a distância seja curta. Muitos angolanos conhecem Cuba. Estudaram em Cuba. Foram para lá meninos e vieram homens. Muitos angolanos conhecem os cubanos. Foram seus professores, médicos ou em alguma situação lidaram com alguém de Cuba. Alguns angolanos dizem que devemos muito a Cuba e outros dizem que os cubanos nos devem algumas coisas que levaram pela porta do cavalo; Muitos cubanos estiveram em Angola; muitos perderam a vida em Angola. Em Cuba agora os mais velhos conhecem Angola de Agostinho Neto e não movem qualquer outro sentimento pelos angolanos senão essa lembrança longínqua de uma angola e de um nome Agostinho Neto. Para os mais jovens foi por causa de Angola que morreram os cubanos. Mas cuba estrangulada com bloqueios e com uma centralização ainda acentuada sabe receber. E recebe milhares de turistas. Para os angolanos já livres do mesmo regime até pode ser um exemplo no que toca ao turismo de que tanto se fala. Há uma corrida às suas praias e lugares antes que tudo mude e já não haja um carro dos anos cinquenta a circular pelas suas ruas. Lugar da rumba e da Bodeguita del Medio, com musica por todos os lados, Cuba é um lugar a visitar. Diz um agente turístico - Cuba é um país que atrai muitos turistas por dois motivos: primeiro porque é uma ilha situada no mar do Caribe, portanto possui praias paradisíacas. Segundo, pela sensação de estar em um país que parou no tempo. Cuba é uma país de contrastes:  ao mesmo tempo vê-se muita cultura, muita história, muita beleza e um povo muito amistoso e caloroso; mas lida-se também com as dificuldades de um país que não acompanhou as evoluções do mundo moderno. O importante é que: quem faz turismo em Cuba se apaixona pelo lugar, pela sua gente e sai de lá sempre a recomendar a visita ao país. . Por um lado é impressionante a sensação de se estar de volta aos anos 50, com os carros antigos e os prédios exatamente como eram nos tempos da Revolução, que aconteceu em 1959. Muitos prédios, especialmente os hotéis e museus foram restaurados pelo governo e têm melhores condições, valorizando a arquitetura do lugar. Por outro, é uma cidade degradada, com muitos prédios abandonados e outros que parecem que vão ruir a qualquer momento. A música está presente em todas as visitas.
Disco
Hoje dedicamos o nosso programa a uma viagem a Cuba que visitámos há dias integrados numa grande comitiva de salseiros. Como os ouvintes sabem há por todo o mundo escolas de dança que privilegiam a salsa e que hoje em dia incluem a kizomba. De Angola foram mais de vinte pessoas, na sua maioria jovens integrantes da escola Pé de Salsa, da conhecida professora Natchova Hendrick. De Portugal cerca de 100 salseiros a que se juntaram duas ou três pessoas de outras nacionalidades. Do programa constavam naturalmente muitos momentos de dança, e para além deles todos os outros foram aproveitados para em grupo dar azo ao prazer de mover o corpo. Os salseiros são gente animada, barulhenta e bem-educada. Todas as possíveis falhas encontradas, foram amplamente esbatidas por uma organização impecável, que tinha no programa um dress code diário, do vermelho ao branco, e a eleição de uma corte constituída por um rei e uma rainha, eleitos por voto secreto, pelos participantes. Se o Hotel estava superlotado e os melhores quitutes implicavam uma fila em frente à grelha, se a qualidade da roupa de quarto deixava a desejar, os desenhos que as camareiras nos deixavam em cima da cama faziam-nos sorrir e tirar mais uma foto. Nem tudo foi perfeito, mas a estadia no Grand Memories com a sua linda praia de areia branca e água azul, ficarão para sempre na nossa memória. A boa disposição alimentada a pinha colada e cuba libre, nunca excedeu os limites de uma boa compostura. As escolas de dança movimentam o mundo com os seus adeptos – congressos, viagens turísticas, workshops ocorrem anualmente de Cape Town a Nova York. Luanda já realizou vários eventos do género e prepara-se para em fins de Outubro e início de Novembro fazer um Festival Internacional, com uma Mussulada Africana no meio. Angola vai entrando na rota do turismo da dança.
Disco
Hoje estamos sob o signo da dança e das viagens em torno dela. Nem tudo foram rosas, como é natural. E mesmo sempre em atitude defensiva contra opiniões desfavoráveis relativamente a Cuba, não pudemos deixar de ficar com uma opinião desfavorável ao ver um fio esverdeado a correr pelas ruas de Havana e de Matanzas, sinal de que os esgotos não funcionam. Também não gostámos da visita ao Callejon de Hamel, um local que acolhe uma escola de arte para crianças e que consta dos itinerários de todos os turistas que visitam Havana. Uma pequena rua, ornamentada com banheiras com plantas e outros efeitos artísticos, com pequenos bares e um pretenso estúdio fotográfico, mas com um ar demasiado sem graça, cheio de pedintes de todas as idades a abordar ostensivamente os turistas. Deveria haver um local para doações no nosso entender e não deixar que num espaço tão pequeno e tão sem graça, se estendessem tantas maõs em busca de um cuc – o peso dos turistas. Deixámos o local e fomos dar um passeio por Havana num triciclo puxado pelo Franco, um simpático cidadão que orgulhoso nos mostrou o restaurante onde Barak Obama foi comer, um atelier de arte moderna, um restaurante num segundo andar que disse ser muito bom, enquanto ligava a música num pequeno receptor – tenho Bluetooth disse todo sorridente. O passeio fez-se pelo Barrio Chino e por umas ruas com casas de aspecto degradado com pessoas à soleira das portas, tal como vemos nos postais daquele país do Caribe. A pé percorrermos o Malecon até perto do Morro, que tem um túnel de entrada na cidade e fomos almoçar à Bodeguita del Médio onde nos esperavam outros membros da nossa delegação. Foi uma festa dentro e fora do pequeno e mundialmente conhecido restaurante. Em Varadero e a partir da sua marina houve quem partisse num moderno catamaran para brincar com golfinhos num local no meio do oceano. A discoteca e a Calle 62, foram locais frequentados pelos alegres e simpáticos integrantes da delegação portuguesa, que como dissemos incluía vinte e tal angolanos. Uma referência ao projecto Munhequitas de Matanzas, com um workshop no hotel e uma visita à sua sede, onde em plena rua se exibiram os seus integrantes e os excursionistas dançaram e comeram uma deliciosa refeição de porco assado. As nossas emoções voltaram-se hoje para essa visita a Cuba que não incluiu os diferentes locais históricos e turísticos que aquele país oferece.
Disco
E vamos terminar. Hoje estivemos em Cuba, onde as nossas emoções estiveram à prova. Um país que tem muito significado para Angola e que para os cubanos tem um misto de indiferença e até de mágoa para a gente jovem. Para nós mais velhos, sempre na defensiva contra os comentários não abonatórios aqui e a ali, que culminaram com a chegada a Lisboa, e o desabafo de uma jovem – chegámos à civilização. Quando nos preparamos para incentivar viagens turísticas ligadas à dança, sabemos que não escaparemos a umas dicas do género perante as nossas insuficiências. Mas vai valer a pena. Boa tarde.


Luisa Fançony
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EMOÇÕES NO FEMININO


RESPEITO MÚTUO
Depois dos feriados voltámos à nossa vidinha de todos os dias e aos desacatos que opõem as zungueiras à policia, ou vice-versa. Episódios que nunca deveriam existir, pela dignidade das duas partes. Precisamos que as mulheres que vendem na rua, sejam respeitadas e precisamos que as mulheres que vendem na rua respeitem a polícia. Precisamos que ambas, se deem ao respeito. E isto remete-nos aos temas que temos abordado sobre educação. É que sendo educados, sabemos respeitar e dar-nos ao respeito. Sendo amáveis, corteses, não saindo da linha que separa as nossas funções, que separa os espaços onde nos podemos mover. Existe uma prioridade indiscutível: a necessidade de respeitarmos o nosso próximo. A propósito dos constantes desencontros entre a policia e as vendedoras ambulantes fomos buscar o tema do respeito ao próximo. O respeito mais do que qualquer outro factor, ajuda muito a estabelecer relações harmoniosas. O respeito mútuo começa com o respeito próprio. Respeito é o valor que nos move a tratar o outro com atenção, consideração e importância. Respeito gera respeito. Portanto, quando agimos dessa forma levamos o outro a fazer o mesmo e é assim que construímos o respeito mútuo.  Quem não se respeita, não inspira o respeito do outro. Respeito é fundamental em todas as nossas relações e em todos os momentos.  Depois de uma semana de afectos (esteve entre nós o Presidente de Portugal) e de homenagens às mulheres, vemos que uma é assassinada. Não é virgem o confronto entre a polícia e as vendedoras de rua. Por isso deve haver uma atenção especial por parte do Ministério do Interior em relação a esta questão. Os agentes devem passar por formações especificas de maneira a respeitarem as mulheres que encontram na rua. Elas podem estar a prevaricar, sabemos que sim. Sabemos que também se armaram de uma áurea que as leva a reivindicar de forma bastante agressiva aquilo que pensam ser os seus direitos. Nem sempre têm razão. Mas nada pode levar as autoridades a trata-las com faltas de respeito. O melhor será pormo-nos do seu lado e convencê-las de que esse não é o caminho. Queixam-se sempre de que os agentes ficam com as suas mercadorias. Deveria ser instituído que é terminantemente proibido mexer nos seus produtos, seja em que condições for, mesmo quando sejam levadas para depor … e usar arma de fogo, contra uma vendedora, não se deve admitir em circunstância alguma. É preciso respeitar a autoridade e respeita-se quando a autoridade se dá ao respeito. A autoridade não precisa de andar aos beijos, nem abraços, deve ser firme, sem faltas de respeito. Ser firme no cumprimento da lei e se a lei diz para ficar com a mercadoria, deve ser mudada. O Comandante geral da polícia disse que o agente nunca deveria ter usado a arma de fogo e isso todos nós sabemos até porque ouvimos já o Ministro do Interior dizendo que a polícia deveria andar munida de outras armas que não as de fogo, para evitar estas situações. No mês da mulher é inadmissível que uma vendedora morra desta forma. Pelo menos o espírito do Março mulher poderia ter iluminado esse agente.  Toda a sociedade condena como é óbvio o acto extremo do agente da polícia e nós também. Mas nós queremos que a polícia seja respeitada. Nós precisamos de uma polícia respeitada. Nós precisamos de mulheres cumpridoras da lei. Temos que acabar com esta disputa. As vendedoras insistem em vender nos locais proibidos e contam com um largo apoio da sociedade nesse finca pé e a polícia, que não consegue exercer a sua autoridade usa uma força desproporcional. Há que colocar um ponto final nessa disputa. Haja respeito mútuo. É proibido cumpra-se. É para manter a ordem haja firmeza, sem uso a armas de fogo.

Luisa Fançony
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EMOÇÕES NO BRASIL

Depois de alguns dias no Brasil, num momento muito especial, retomamos este nosso monólogo das tardes de quinta-feira. Viajar é preciso. Nós tentamos responder a esta afirmação antiga de um tema musical ligado ao Brasil. Para os turistas o ambiente estava tranquilo. Uma conversa aqui e outra ali, uma boa opinião aqui e outra ali contrária, sobre os dois candidatos, era tudo o que se ouvia. Visita obrigatória ao Corcovado, e a outros pontos turísticos do Rio e um tour à Foz de Iguaçu, às suas catarata e barragem de Itaipu com um tempo chuvoso e um ambiente alegre numa caravana de cerca de 15 pessoas, bem-dispostas, com aquele humor que só a idade permite e o à vontade de quem não deve nada a ninguém e viaja com os seus próprios meios. Estas caravanas com objectivos definidos são muito interessantes – ir a um congresso de salsa, a um jantar da Academia do Bacalhau ou a um torneio de ténis para veteranos, tem um sabor especial e os resultados são sempre muito bons – não os desportivos, no caso do ténis sénior, onde a delegação angolana joga como nunca e perde como sempre.  Atendido por amigos brasileiros, ou contactando os funcionários dos locais visitados, nota-se muita cortesia. Há um tratamento que parece normal, onde se percebe gentileza e até educação, algo que não parece circunstancial, mas rotina. O Brasil é um país de turismo e quem se ocupa dele, deve receber uma preparação adequada. As situações de violência devem ter sido registadas durante a nossa estadia. Lamentavelmente muita gente deve ter tido o azar de estar no local errado, na hora errada. Para a nossa caravana estendeu-se um manto de paz e de alegria. Nem Bonsonaro nem Haddad, salvaguardadas as devidas distâncias, nos preocuparam. A propósito disso um editorial da revista Época do dia 29, defini-os como o roto e o esfarrapado.  De regresso ao país, o voo introduz-nos nas nossas malambas. O entretenimento não funciona e a mesa não entra na ranhura que tem algo descolado no seu interior. E começamos a pensar logo nas coisas que não funcionam. Voltamos àquilo que não funciona, porque não tem manutenção. Mas voltamos aos nossos afazeres. Porque somos mais velhos, mas temos as nossas ocupações.

 

Luisa Fançony

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COMO A DEMOCRACIA CHEGA AO FIM

 

Na sequência da eleição do presidente do Brasil abrem-se muitas discussões sobre a democracia, a extrema direita, extrema esquerda. O professor de política da Universidade de Cambridge David Runciman diz que a extrema-direita de hoje não pode ser comparada com o que se passou tempos atrás. Ele não acredita que estejamos prestes a ver uma repetição do fascismo no Brasil. As nossas sociedades são mito diferentes das que existiam há cem anos atrás. Somos mais maduros e mais conectados. As nossas instituições estão a ser testadas de outra maneira e temos recursos diferentes para reagir. Ele acha que corremos o perigo de acreditar no falso alarme de que a extrema-direita pode repetir os mesmos erros dos anos 1930. Isso não vai acontecer. Devemos temer a crescente intolerância e o esfacelamento das nossas políticas, mas não devemos enganar-nos acreditando que já vimos isso acontecer. Nada  na política dura para sempre. Pensar no fim da democracia é estar aberto, porque por definição o futuro é mias aberto que o passado. Um erro que cometemos é definir a democracia com parâmetros do passado. Estamos presos a instituições ultrapassadas e não sabemos como alterá-las. Tratar a democracia como algo intocável é uma das causas do seu enfraquecimento. Usamos métodos antigos para encontrar novas opções. Isso significa que escolhemos políticos que usam os mesmos métodos, mas se apresentam como novos. O professor diz que isso ocorreu com Brexit e com Trump. Os eleitores procuram novas alternativas respaldando-se em fundamentos antigos o que leva a uma grande frustração e se pode tornar um círculo vicioso. Temos de salvar a democracia, ser mais criativos, mais imaginativos e não pensar que a próxima eleição vai resolver os nossos problemas. Professor David Runciman e as suas opiniões expostas no livro COMO A DEMOCRACIA CHEGA AO FIM.  E nós que exercitamos a democracia há tão pouco tempo e que transplantamos para aqui o pacote completo de eleições livres, com partidos políticos, imprensa livre, programa de políticas nacionais escolhas entre a direita e a esquerda.

O tema democracia é naturalmente aliciante, numa época em que se diz que os países estão a virar à direita. Infelizmente os partidos de esquerda, com teorias fantásticas tiveram uma actuação ligada à prepotência, à corrupção o que, por exemplo no Brasil, levou a que o candidatado do PT “purgasse nas urnas os erros políticos, económicos e de moralidade cometidos por companheiros de jornada.” Democracia tem muito a ver com o social que é foco desta conversa às quintas. Mas a democracia pode chegar ao fim se não conseguirmos mudá-la. Desde o fim da Segunda Guerra, o triunfo da democracia parecia incontornável. Hoje, contudo, ela vê-se ameaçada, mesmo nos países onde é mais estável. Como chegamos a essa situação? David Runciman argumenta que estamos presos ao passado. Ao nos concentrarmos no fascismo e nos golpes de Estado como as principais ameaças, miramos os alvos errados. As nossas sociedades são complexas demais para colapsar da mesma maneira. Precisamos de novos modos de pensar o impensável — uma visão do século XXI sobre o fim da democracia, e se a sua derrocada nos permitirá avançar em direção a um modelo melhor. Livro provocador, faz as perguntas fundamentais para a compreensão de nossa vida política contemporânea.

 

 

Luisa Fançony

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EMOÇÕES NO FEMININO


“E para aqui estamos Mussunda amigo”. Com muitas notícias quentes, que fazem a delícia de quem gosta de notícias quentes…e para gáudio de quem gosta de ver o circo pegar fogo. Mas na verdade estamos todos muito tristes. Tristes por não termos tido pessoas honestas e trabalhadoras à frente de sectores importantes. Tristes por sabermos que várias pessoas se resguardaram debaixo de uma sombrinha que pensavam segura. Tristes e envergonhados, porque ao fazer-se justiça se destapam muitas coisas mal feitas. Quando se anunciou que se iria corrigir o que está mal, sabendo-se que muita coisa estava mal, não pensávamos nas pessoas responsáveis por essas coisas mal feitas. O Jornal de Angola ao assinalar um ano de governação, reproduziu as palavras do Presidente do Tribunal Constitucional, Rui Ferreira que disse no dia da posse do novo presidente angolano “os limites únicos do poder que lhe foram conferidos pelo povo são os que constam da Constituição, da Lei e do dever de servir a nação. Não há outro, Senhor presidente. A partir de hoje abre-se aos seus pés e para os próximos cinco anos, uma via expressa para fazer o que prometeu aos angolanos. Corrija o que está mal, melhore o que está bem, combata a corrupção, fortaleça o estado democrático e de direito, diversifique a economia e melhores a qualidade de vida dos angolanos”. Enfim a vida contínua e a par desse sentimento de tristeza e de algum temor de que a justiça não siga todos os procedimentos, temos a esperança de um país melhor, mais transparente, mais amigo do seu povo. Emoções no feminino. Muitas emoções como vimos fazendo referência ao primeiro ano de governação do presidente João Lourenço e infelizmente nesse tempo não foi possível aprovar o novo código penal. Quando ouvimos o Ministro da justiça falar sobre a última proposta sobre o fracturante assunto do aborto, pensávamos que estava tudo resolvido, pois ele falava nas restrições e embora não concordássemos, do mal o menos. Não concordamos de todo, que a interrupção da gravidez seja um crime punido com até 10 anos de prisão. De acordo com a última proposta a interrupção da gravidez seria admissível apenas em situação de malformação do feto, violação sexual, casos de incesto e sempre que a vida da mãe esteja em perigo. Mas foi achado aconselhável e prudente voltar às comissões da especialidade. Os partidos da oposição não estão todos de acordo. Fala-se em deitar fora filhos a partir do ventre materno. Na verdade, há muita hipocrisia no tratamento desta matéria. Todos conhecem a opinião da Igreja Católica. Muito bem. Dos partidos políticos com pessoas que pensam pelas suas próprias cabeças, não se aceita que façam determinados comentários em pleno século XXI.  Sabe-se por outras vias que muitos dos responsáveis a diferentes níveis, conseguem que as suas aventuras fortuitas ou permanentes, se desenvencilhem de gravidezes importunas. As nossas ruas mostram a vida infeliz que têm as crianças trazidas ao mundo fruto de relações pontuais. Sabe-se que as mulheres desesperadas com uma gravidez indesejada, procuram desenvencilhar-se entregando-se em mãos pouco escrupulosas que muitas vezes as levam à morte. Sabe-se do martírio que é para os pais uma criança que nasça com malformações incuráveis. Pode-se imaginar como se sente alguém fruto de um relacionamento incestuoso, se conseguir ser equilibrado psicologicamente. Porquê tapar o sol com a peneira. Trata-se de cinismo criminoso. E este reparo não é só para os homens, mas sobretudo para as mulheres, que engrossam o número de pessoas que querem que o aborto seja penalizado. Toda a gente sabe que o facto de haver uma lei que permita o aborto, não obriga ninguém a abortar. Quem não concorda, não aborta e cria os filhos que as circunstâncias legais protegem, por seu único risco.

Luisa Fançony




CRÓNICA DE VIAGEM (para um programa de rádio EMOÇÕES NO FEMININO)


As nossas emoções hoje voltam-se para o prazer de viajar. Viajar é preciso. Este é o lema que temos adoptado nestes últimos tempos, e que aplicamos sempre que haja possibilidades de o fazer. A eliminação dos cartões de débito e a limitação dos cartões de crédito e transferências acabam por coartar esse prazer que elegemos para esta fase da nossa vida. Os cidadãos de todo o mundo deslocam-se muitas vezes em grupo. Pertencem a organizações que escolhem uma cidade para uma celebração e lá vão eles dar um passeio. Há a Academia do Bacalhau, há os congressos de salsa, as celebrações religiosas e no nosso caso o intercâmbio desportivo de veteranos, entre os clubes de ténis. Os veteranos levam a família se assim entenderem, já que as despesas correm por conta de cada um. Foi assim que fomos ao Ruanda. É verdade. Naquele país sofrido joga-se ténis. O embaixador do Ruanda no nosso país é sócio do clube de ténis e organizou a ida dos tenistas angolanos ao seu país. Foi-nos recomendado fazer a inscrição no site dedicado aos assuntos migratórios e o visto seria dado no aeroporto no valor de trinta dólares. Em trânsito passámos por Joanesburgo, onde os passaportes dos não angolanos, foram passados a pente fino, com alguns problemas, já que ao adoptarmos o digital, às vezes ficamos pendurados. A estadia na cidade de Kigali foi muito bem organizada e incluiu visita ao Memorial do Genocídio. Este um lugar em que o visitante experimenta sentimentos desencontrados, onde prevalece a tristeza por conhecer mais de perto os detalhes de uma das maiores tragédias do mundo contemporâneo. A delegação angolana fez também uma visita ao edificio do RDB – Rwanda Devepment Board, uma agência governamental que mostra que o país está aberto ao investimento. Recebidos pelas chefias, fomos informados das condições de investimento privado no país e da celeridade dos processos que decorrem num mesmo edificio e onde provámos o café ruandês. Depois o repasto num dos hoteis mais modernos da capital. A cultura fez parte do itinerário e fomos levados a ver o grupo INTAYOBERANA, com cuja directora tivemos o prazer de conversar. Beruna Carine, diz eu começou a dançar pequena, participou em vários festivais e já visitou vários países como Espanha, França, Inglaterra, China etc. A dança tem como base a vida das populaçoes, imitando os passos da gazela, participando na colheita dos grãos e as práticas guerreiras. Música e dança são partes integrantes de cerimônias, festivais, eventos sociais e das histórias contadas no Ruanda. De Kigali partimos para as margens do Lago Kivu, o sexto maior do continente, para um Hotel localizado na cidade turística de Gisenyi.  Aí a oportunidade de admirar um mar de água de grande beleza, cujo contorno a vista não alcança. No regresso tivemos a confirmação das medidas de segurança experimentadas em todos os locais que visitámos, com aparelhos de raios X – a entrada de viaturas no parque do aeroporto obriga a que os passageiros desçam do transporte com as suas bagagens, para os cães farejarem, já no edifício as bagagens e seus portadores passam por mais dois controlos. Emoções no feminino hoje, pelo prazer de viajar. .Hoje as nossas emoções voltaram-se para o prazer de viajar. Os angolanos sempre gostaram de viajar. Já o fizeram vendendo umas grades de cerveja e depois pagando no país na sua moeda, percursos, hoteis e alimentação. Tudo isso faz parte do passado, apesar de haver sempre quem usufrua de algumas divisas para o fazer à vontade. Os angolanos encontram sempre uma forma de contornar as dificuldades. As autoridades que superintem o turismo dizem que devemos começar pelo turismo interno. Viajar pelo país é caro. Há quem faça um esforço e consiga levar angolanos e estrangeiros a viajar pelo país. Também é preciso conhecer o país que tem óptimos lugares, mas que não está organizado para fazer as pessoas usufruir deles, com qualidade e a um preço razoável. O Ruanda que visitámos há pouco tempo, sofreu um grande abalo humanitário, mas reerguido consegue receber turistas a quem a partir deste mês já não exige um visto de entrada antecipado. Nesta quadra festiva, muitas pessoas viajam. Vão para fora do país ou para outra provincia. Desejamos a todos que o façam com prazer e para o enriquecimento da alma, do pensamento e do corpo.









25 anos da LAC - UMA RÁDIO DE PRINCIPIOS

Muito boa noite

A LAC promoveu durante este ano, uma série de actividades comemorativas dos seus vinte e cinco anos.

Todas as empresas assinalam as suas datas, mas os meios de comunicação, que se dirigem a uma gama muito variada de pessoas, que são o foco da sua missão, costumam partilhar com elas esses momentos. Foi o que a LAC fez. Promoveu uma série de eventos para os seus ouvintes. O programa incluiu parcerias com diversas entidades, ligadas ao desporto, à cultura e contou com o patrocínio do BCI.

Hoje estamos aqui para homenagear muitas pessoas e entidades que ao longo destes vinte e cinco anos, de forma pontual ou continuada, graciosamente, ou minimamente retribuída, dedicaram a sua atenção à LAC. 

Só assim conseguimos vencer muitos obstáculos e chegar ate aqui com altos e baixos, mas sempre com o sentido do equilíbrio. Com algumas desistências intempestivas na programação fruto de incompreensões mais sentidas do que impostas.

Só assim, com a presença de quadros de grande capacidade técnica, conseguimos ser uma referência da radiodifusão angolana.

Recebam o certificado que representa aquilo a que se pode chamar  defesa de princípios. A LAC é uma estação com princípios e que os procura disseminar na nossa sociedade. Assim nada mais justo que homenagear os nossos amigos, alguns deles já partidos deste mundo. Há igualmente neste particular, uma chamada para aqueles trabalhadores que vestem a camisola da LAC e dedicam horas e horas a trabalhar nos diferentes projectos sem olhar a horários e a remunerações extra.

Não vale a pena nesta noite falar do nosso negócio, só queremos festejar! Convido-vos a isso à festa dos nossos vinte e cinco anos. Muito obrigado a todos.

 

 

 

 

 

 

EMOÇÕES NO FEMININO

Emoções no feminino hoje olhando um pouco para o passado de quantas menopausas já vividas. As nossas e as das outras que se seguiram. A vida é mesmo assim. A determinada altura o corpo da mulher deixa de produzir estrogénio e progesterona e fica então descompensado. A sua vida fica por completo alterada. E ela fica sozinha, não consegue construir uma vida familiar sólida, não faz exercícios físicos nem mentais, deixando-se envolver por um clima de inveja em relação a outras mulheres mais resolvidas. Não respiram profundamente antes de decidirem intervir na esfera pública. Quem sabe a necessitar de um antidepressivo? Pela madrugada a mente a fervilhar de raiva, porque não destilar veneno pelo ciberespaço? Será? Não tem com quem discutir os seus pontos de vista tão firmes que na urgência da hora tem que partilhar. É só um click e já está. Um comentário de quem não gosta de julgar de quem não tem nada contra, mas que numa menopausa mal vivida resolveu beliscar.  À distância do tempo dos cabazes. Há distância de um tempo que ficou marcado por gerações de profissionais e de um percurso bem-sucedido. Sem alardes, sem adjectivos, apenas vivido honestamente, com todos os erros que a prática produz. Boa tarde cara ouvinte, se vive o período da menopausa, acalme-se. Esses fogachos e ondas de calor, vão passar. Não se precipite para as redes sociais, não revolva um passado que não é seu e que você não conhece, misturando nomes e fantasias, factos e suposições. O programa EMOÇÕES NO FEMININO deteve-se no tema - a menopausa. Quem diria que um período tão critico da vida de uma mulher desse um tema para conversa? Longe das questões médicas, longe dos calores e dos incómodos. Mas apenas como análise do comportamento pela vida fora, que o estatuto secundário das mulheres acabou por lhes trazer muitas dúvidas sobre elas próprias. Há muitas teorias sobre o relacionamento entre as mulheres. Diz-se que por norma as mulheres tratam de forma diferente as mulheres, por exemplo quando as atendem, com uma espécie de inveja. Numa repartição não se espera um tratamento harmonioso quando se trata de uma mulher a atender outra mulher. Diz que as mulheres sabotam as mulheres.  Numa luta por norma as mulheres nunca esperam que outras mulheres as ajudem; esperam que elas lhes roubem o momento, o homem, subvertam o elogio ou pura e simplesmente, destruam qualquer coisa de valioso. É um pouco neste sentido a figura da menopausa um período complicado para a vida da mulher e que pode envenenar um futuro de solidão, onde o êxito de outras mulheres a irrita. Mas nem tudo funciona assim, felizmente. Alguns autores dizem que as mulheres são socializadas para a solidariedade. Da mesma forma como são educadas para o diálogo e a mediação conflituosa. Desde as brincadeiras infantis, a sociedade as educa para a paz e para o amparo. Será?
Hoje estamos a falar das mulheres, de nós, que passamos ou havemos de passar pela menopausa, uma questão física que pode afectar psicologicamente a mulher. Normalmente fala-se da mulher em oposição ao homem, tudo no sentido da sua emancipação. Hoje estamos a falar dela como um ser humano que pode acarretar uma série de complexos, enquanto individuo e não como um todo. Um ser que pode destilar veneno no seu dia a dia, como um modo de actuar sempre em guarda contra qualquer ataque. O ataque é a melhor defesa, dizem alguns. Mas Harriet Rubin diz que não – nunca exerças a vingança – isso só fortalece o inimigo. Sê aberta e verdadeira. Sê determinada em não violar a essência da outra pessoa. Respeita a verdade das outras pessoas. A prontidão para ser ferida em acção, quando se tem um objectivo e se está a caminhar demonstra força. Diz ela, nunca exerças vingança ou castigo, ou faças o teu oponente acreditar que vai sobrar para ele, pois ele pode implicar-te numa mistura de orgulho e culpa que mina a tua posição, psicológica e eticamente. Então é assim que devemos fazer, não nos parece mal este conselho que nos manda construir silenciosamente uma vida rica, cheia de entusiasmo em torno dos nossos objectivos.





BAÚ DE RECORDAÇÕES

Ouvintes muito boa tarde       28 de Maio de 1993

Sexta-feira termina mais uma semana. A LAC termina em grande, com uma entrevista que o Presidente da República concedeu aos jornalistas ISMAEL MATEUS e PAULA SIMONS. É assim a vida dos jornalistas. De vez em quando compensada com um trabalho de responsabilidade, ao mais alto nível. Não que o trabalho diário, não lhes traga satisfação. Trás e muita! Mas, é preciso de vez em quando levar as preocupações dos cidadãos, que escrevem, telefonam aos responsáveis e ouvir as suas respostas. Os ouvintes da Lac estão de parabéns.

(extracto da conversa com os ouvintes no horário das 18 às 19 horas)

 

 

Luisa Fançony

Directora Geral

luisa.fancony@lacluanda.co.ao
Tlm: +244 912 510 946

 

 

 

EMOÇÕES NO FEMININO

No programa EMOÇÕES NO FEMININO de quinta-feira, falei do tempo e não só. Como o tempo passa é uma expressão que se ouve diariamente. Antes parece que o “mundo vivia a passo, sem pressa”, como escreveu Luis fernando na introdução da entrevista à Luena. A Luena Amaro que em criança andou pelos palcos da RNA cantando, nos espectáculos Piô,   e que agora foi entrevistada, porque ficou em segundo lugar num concurso internacional de pesca.  “As décadas voaram, como não sucedia na primeira metade do seculo XX e o  progresso civilizacional parecia pedir licença para marinar, o mundo vivia a passo, sem pressa”, escreveu Luis Fernando. A Luena deu uma grande entrevista ao Jornal o País. Também nós reagimos à chamada de atenção de que uma vice-campeã angolana, é notícia. Rui Sancho que percebe dessas coisas diz que é do mar que vão chegar as medalhas de ouro e os campeões mundiais, mesmo que ninguém lhes preste grande atenção, o que não é o caso da Luena claro está. Dois marlins azuis e dois veleiros perfazendo um total de 1400 pontos – é obra e confirma que as mulheres não se medem aos palmos. Parabéns públicos porque pelo canal que divulgou o feito já tinhas sido felicitada, por mim em privado.  Mas começámos a falar do tempo que corre veloz nestes dias que passam. Voltando àqueles em que o mundo vivia sem pressa vamos lembrar os sonhos que todos tínhamos e que costumam ser resumidos, na frase não foi isso que nós combinámos”. Júlio de Almeida, a voz do ponto da situação politico militar na RNA, deu muitas entrevistas a propósito do lançamento em Portugal do seu livro VAICONDEUS SARL.  E na entrevista ao Expansão, falou da sociedade que se queria construir após a independência, com uma economia centralizada e onde quando se era nomeado para qualquer cargo se lia na última linha – e em especial as camadas mais desfavorecidas. Quase todos levavam a sério e isso significava que se pretendia construir uma sociedade em que as diferenças de classe não fossem abismais, mas ir trabalhando no sentido de fazer uma distribuição de rendimento nacional o mais equitativa possível. Mas nos últimos 25 anos trabalhou-se arduamente no sentido contrário, portanto a diferença de modelos entre o que se sonhava e o que foi feito, não significa uma diferença entre o sonho e a realidade, mas entre personalidades, que até podem ser as mesmas, biologicamente falando, mas completamente diferentes socialmente falando. E eu concluo, foi a falar nas camadas mais desfavorecidas que educámos os nossos filhos. Foi assim que a Luena e o Ondjaki cresceram. Com essa ideia do colectivo que se perdeu com os estados falhados do leste europeu. E o que combinámos com eles continua válido nas nossas famílias, onde o trabalho dignifica o homem e onde muitas vezes o presente lhes prega armadilhas, impedindo a realização de um projecto. Mas, nada que quebre as alegrias de uma vitória, de um ganho ou de um sucesso.


Luisa Fançony
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EMOÇÕES NO FEMININO

EMOÇÕES NO FEMININO e a  Marcha da Mulheres pela Despenalização do Aborto”, agendada para o próximo sábado, dia 18 de Março, entre as 10:00 e as 14:00 horas.  A concentração da marcha será no Cemitério de Santa Ana.
Neste mês de Março estamos a falar da luta das mulheres através da moda. Antes de entrarmos no assunto uma palavra de apreço às mulheres que não estão de acordo com o preceituado no novo código Penal no toca ao aborto. Na verdade, há muitos anos que as mulheres angolanas com uma visão mais aberta se batem pela despenalização do aborto. Mas por ser uma questão, como se diz fraturante, as suas propostas não passaram quando havia ainda ao calor das mudanças. Sabemos que muitas mulheres não apoiam a ideia de não penalizar o aborto. Há países que tinham uma leia aberta e que agora fruto de pressões de direita estreitam os motivos que podem levar a um aborto. Estudos de revistas especializadas contrariam o argumento de que leis severas contra o aborto reduzem a disseminação da prática. Analisando dados de 1995 a 2008, o levantamento do instituto americano Guttmacher mostra que as mais altas taxas de abortos estão justamente em regiões com legislação restritiva. Na América Latina, que tem relativamente o mais alto número de abortos em todo o mundo, a maioria dos países proíbe a prática, apontou u estudo. Em 2008, uma média de 32 entre mil mulheres (entre 15 e 44 anos) fizeram aborto na região. No mesmo ano, a taxa da África foi de 29 mulheres.  Em contrapartida, na Europa Ocidental – onde a legislação é mais permissiva -, esse número caiu para 12. Apesar de mostrar que a quantidade de abortos, após um período de queda, se estabilizou, o estudo destaca que a prática realizada de maneira insegura vem crescendo. O número de gestações interrompidas com práticas que apresentam riscos às mulheres cresceu entre os dois períodos analisados, de 44% em 1995 para 49% em 2008. EM África, a taxa chega a 97% do total de abortos mal sucedidos. O continente é seguido pela América Latina (95%), Ásia (40%), Oceania (15%), Europa (9%) e América do Norte (menos que 0,5%)."A base da legislação que permite abortos deve ser ampliada, para reduzir a necessidade das mulheres de recorrer a abortos clandestinos", diz o relatório do Instituto Guttmacher, que é parceiro Organização Mundial da Saúde. Uma reivindicaçao do movimento feminista foi e é pelo fim da punição  a quem pratica o aborto. Ninguém é a favor do aborto, mas ninguém consegue parar com os abortos clandestinos que ocorrem em toda a pa rte. É daquelas questões que nenhum estado consegue controlar e que só sabe se correr mal e muitas vezes já é tarde para salvar a vida da mulher. No sábado há uma marcha que sai do Cemitério de Santana para o Largo das Heroínas. O grupo de cidadãs considera que a aprovação de tal disposição representa um retrocesso na luta pelo reconhecimento dos direitos humanos das mulheres e uma violação grosseira das garantias e postulados constantes do protocolo de Género e Desenvolvimento da SADC relativamente aos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, do qual Angola é signatária e Estado Parte explicam as organizadoras no documento.




A BICICLETA E A EMANCIPAÇÃO DA MULHER

Andar de bicicleta fez mais pela emancipação da mulher do que qualquer outra coisa no mundo”, dizia a feminista americana Susan Anthony, no final do século XIX.

Caros leitores com as facilidades actuais, não custa encontrar temas interessantes relacionados com a emancipação da mulher. Então não é que a bicicleta contribuiu para tornar a mulher mais livre e dona do seu nariz? Tudo isso aconteceu nos finais do século XIX e as americanas de francesas foram as pioneiras no uso da bicicleta, apesar de um médico francês afirmar que a fricção com as partes íntimas poderia tornar a mulher estéril. A mulher ao pegar numa bicicleta decidia onde ir e com quem, sem precisar de dar satisfações a ninguém. Passaram a circular pelo espaço público, ainda com grandes saias e espartilhos. O uso da bicicleta contribuiu para a mudança do vestuário feminino que se tornou mais leve, mais confortável facilitando a circulação de bicicleta. A bicicleta teve o condão de propiciar a reforma do vestuário feminino, mudando também as atitudes sociais em relação à roupa feminina. Maria Pognon, presidente da Liga Francesa de Direitos da Mulher, afirmava que a bicicleta era “igualitária e niveladora”, ajudando a “libertar o nosso sexo”. A palavra liberdade é a que melhor se ajusta à bicicleta. A bicicleta trouxe às mulheres liberdade de movimento e de deslocação, directa e indirectamente, deixando um legado que se estende aos dias de hoje. Ao abordar a questão da mulher e da bicicleta deparámo-nos com muita informação o assunto. Soubemos então que a iraniana Ishbel Taromsari está ou esteve na estrada há dois anos com a sua bicicleta. Se no passado a aventura era uma jornada pessoal, desde setembro de 2016 a volta ao mundo ganhou um novo caráter: no dia 10 daquele mês, Ali Khamenei, líder supremo do Irão, emitiu uma ordem que proibia as mulheres de andar de bicicleta em público. Por isso algumas mulheres foram obrigadas a assinar um documento em que prometiam nunca mais andar de bicicleta. Elas planeavam participar de um evento de ciclismo, mas tiveram de desistir, pois não teriam como treinar: os parques exclusivos para mulheres seriam os únicos locais onde poderiam pedalar.  Como não podiam andar de bicicleta as iranianas decidiram postar selfies e vídeos a pedalar. Ishbel, que integrava a equipa nacional de ciclismo feminino do país, fez desta a sua bandeira e engrossa o coro a favor dos direitos das mulheres. Concluindo a bicicleta também contribuiu para a emancipação da mulher.

 

 

Luísa Fançony | Directora Geral
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24 ANOS

SONHAR, OUSAR, FAZER DIFERENTE

 

FUI AO CINEMA

A RAINHA KATWE

Hoje fui à ante estreia do filme. Penso não ter ido ao cinema em Angola, há mais de quarenta anos. Na minha meninice ia às matinées no Cine Teatro de Silva Porto. Aí vi a maior parte dos filmes da época, pelo menos os que eram para menores de dezoito anos. Depois disso fui ao cinema muito poucas vezes em Angola. Hoje fui ao cinema. A um complexo muito bonito e a uma sala grande e confortável. Não faltaram as pipocas, aquelas que afastaram definitivamente o meu marido das salas de cinema no exterior do país. No meu programa AFRIKHYA tinha reproduzido a opinião de Sousa Jamba sobre o conteúdo do filme e depois de saber que ele seria exibido em Angola, fui ver o que se dizia dele em alguns sites. A Helena Casimiro que tem estado emprestada à rádio e faz com outros jovens o MATABICHO DE DOMINGO, foi a grande impulsionadora da presença do filme entre nós. Ela diz que se sentiu motivada por várias razões e uma delas o facto do filme ser da Disney que sempre nos deu a ver a beleza das princesas loiras e brancas e que na Rainha do Katwe mostra uma África vencedora e uma “princesa” de carrapitos na cabeça. Não se pode dizer que o filme mostre um conto de fadas negras. O drama da vida de uma família monoparental alterna momentos de sucesso da protagonista com os desaires de quem é pobre e vive em condições muito precárias. Ainda me doem os olhos, de deixar tanta lágrima aflorar e lutar para que não escorresse pelo rosto abaixo. Algumas cenas tocam até os corações mais empedernidos. Eu, com a idade, emociono-me com um olhar, com uma palavra. O filme mostra a pobreza de uma povoação de Harare onde vive Phiona, mas mostra também os colégios da cidade com os meninos bem. Mostra a violência da extrema pobreza de onde sai Phiona, com uma mãe vendedora de milho e principalmente a tenacidade do treinador, um engenheiro que trabalha para o estado e recusa um bom salário no privado para poder ficar com os seus “pioneiros”. O filme mostra um pouco de tudo o que acontece em qualquer parte do mundo. Prostituição, sedução, lixo, as desgraças provocadas pela chuva, uma gravidez indesejada, nada foi poupado ou embelezado. Concordo com Sousa Jamba que destacou o papel do engenheiro na sua crónica LIDERES QUE SONHAM falou do filme rodado no Uganda e na África do Sul com o nome RAINHA DO KATWE. O jornalista colocou ênfase na liderança do jovem engenheiro que apoiado por uma igreja tenta organizar os jovens daquele bairro pobre ensinando-lhes xadrez. Graças à liderança deste treinador que motiva os jovens do ghetto ugandense, o mundo passou a saber de uma das maiores fraquezas que o continente africano vai enfrentando o desafio de mobilizar e organizar o capital humano. O poderio do continente africano está no talento do seu povo. Lideres como o engenheiro do filme não se conformam com o status quo. Eles sonham e dedicam as suas vidas mobilizando as pessoas para a realização desses sonhos. Ao assistir hoje à projecção do filme constatei que ele tem razão. Para mim também o herói é o engenheiro, o treinador de Phiona e do irmão.

 

 

 

 

BOAS PESSOAS

Neste mês de Novembro vivemos as emoções no feminino,  falando de boas pessoas. Ao recebermos um dossier da Fundação Lwini, confirmámos a nossa simpatia pela organização, que já nos levou a apadrinhar uma criança num projecto intitulado MIL AFECTOS, MIL SORRISOS. Aproxima-se a quadra festiva e por isso é o tal tempo de sermos bons, na ironia do poeta. A Fundação recolhe donativos de várias formas. Organiza um baile anual que conta normalmente com um artista internacional, passeios turísticos pelo país, etc.  Mas em 2016, apresentou um programa de intervenção social intitulado EDUCAR É A NOSSA MISSÃO cuja introdução diz o seguinte:  Vivemos num período de grande crescimento social e económico, de intercâmbio com o mundo, de novas ideias, conceitos e tecnologias. Porém neste conjunto de novidades, na nova dinâmica da sociedade, as boas pessoas por vezes perdem a voz e com isso se enfraquecem os nossos bons costumes. Os lares, escolas e cidades perdem valores como os laços familiares, o respeito, a solidariedade e outros tantos que são os fundamentos de uma sociedade saudável. É hora de darmos voz às boas pessoas que temos em nossas vidas – no lar, na vizinhança, no trabalho, na governança. Sobretudo devemos despertar e ensinar os nossos valores, a nossa humanidade, para a formação de uma sociedade mais justa, mais pacífica e mais ordenada. No programa estava previsto um tema para cada mês – Em novembro é a liberdade, que significa decidir com responsabilidade. É um direito que nos permite escolher o que fazer com as nossas vidas, como dispor dos nossos talentos e habilidade, posses e tempo, porém reconhecendo os nossos limites. É a autonomia e a espontaneidade, de um sujeito racional; elemento qualificador e constituidor da condição dos comportamentos humanos voluntários. Somos livres quando respeitamos as leis e as normas, caso contrário podemos pagar com a falta desta. Em Dezembro o tema central é o amor. Vamos ouvir música e depois ver como se pode despertar Aa boa pessoa que há dentro de nós.

Todos conhecemos uma boa pessoa. Uma boa pessoa é aquele familiar, amigo, colega ou conhecido que faz as coisas como deve ser. Que cumprimenta com um sorriso é cordial, respeita a si e aos outros e inspira confiança. Uma boa pessoa é aquela que ensina a fazer o que é certo, que é solicita, que ouve e aconselha com sabedoria quando é preciso. Uma boa pessoa é aquela com quem podemos contar porque sempre está aqui. Angola tem muito boas pessoas, tu mesmo conheces várias: são mães, pais, irmãos, tios, avós, colegas, educadores, amigos; e outros tantos que todos os dias dão o melhor de si para assegurar o bem-estar da família e da sociedade. É muito fácil lembrar das boas pessoas, porque dão bons testemunhos e quando as conhecemos elas ficam em nossos corações. São pessoas que deixam marcas, às vezes com uma palavra, um acto. Uma boa pessoa faz uma família unida e muitas boas pessoas fazem melhor toda a nação. Angola precisa da boa pessoa que existe em nós. Vivemos num período de grande crescimento social e económico, de intercâmbio com o mundo, de novas ideias, conceitos e tecnologias. Porém neste conjunto de novidades, na nova dinâmica da sociedade, as boas pessoas por vezes perdem a voz e com isso se enfraquecem os nossos bons costumes. Os lares, escolas e cidades perdem valores como os laços familiares, o respeito, a solidariedade e outros tantos que são os fundamentos de uma sociedade saudável. Quando não existe o diálogo dentro da família, perde-se a união os valores morais e a sociedade inteira sofre com o crescimento da delinquência, violência, injustiça, insalubridade, do desrespeito ao ser humano e da falta de solidariedade. Quando olhamos para a nossa comunidade e pensamos que é mais fácil desconfiar do mal que confiar no bem, é hora de despertar a boa pessoa que existe dentro de cada um de nós e, juntos, resgatarmos a civilidade, os valores morais e éticos, e a cidadania da nação angolana.

 

AS BOAS PESSOAS QUE PODEMOS SER

Hoje escolhemos o tema das boas pessoas que todos nós conhecemos. Ao vermos as notícias pensamos que a nossa sociedade está perdida. Só há mães que abandonam os filhos, mulheres que se prostituem, miúdos bandidos, homens malvados, assassinos, gatunos etc. as noticias só falam das más pessoas. Só relatam actos maléficos. Só mostram a cara das más pessoas. Claro que é preciso denunciá-las. Mas nós temos muito boas pessoas senão o nosso país já se teria tornado um inferno. Todas as semanas há notícias de pessoas que são baleadas quando levantam dinheiro. Pessoas que morrem à mão de um bandido qualquer, que acha que pode usufruir daquilo que os outros ganharam. A difusão de bons conselhos pela rádio, pode ajudar. Mas não resolve. Só a educação pode resolver. Antes é preciso que muitos dos problemas sociais sejam resolvidos. Há muitas pessoas boas a morreram às mãos de pessoas más. Muitas são más circunstancialmente. Nunca pensaram roubar ou matar. Ficamos sempre preocupados quando ouvimos e vemos na televisão as pessoas a contarem como cometeram o crime. Até vimos uma pessoa dessas arrependida, e que agora é um activista religioso. De cara lavada, muito bom aspecto, mas mesmo assim, ficámos arrepiadas ao ouvi-lo contar o que já fez, num programa da nossa TV. Agora parece ser uma pessoa boa. Mas o que é ser uma boa pessoa, para começar? A resposta vem-nos de alguém num blog. Parece haver vários níveis de bondade e de maldade no mundo. Madre Teresa é um exemplo extremo de bondade. Mas a questão é que, em geral, uma pessoa que toma conta de si e não incomoda os outros já é considerada uma boa pessoa. Não que isso seja pouco. São muitas as possibilidades da pessoa se perder por aí e virar um problema (muitas vezes sem solução) para amigos e família. Mas será que ter um emprego, uma casa e seguir a sua vida sem depender nem dar trabalho a ninguém já é ser uma boa pessoa? A verdade é que nos contentamos com o mínimo. Cuidar de si mesmo é o mínimo. Tentar fazer algo de bom pelo resto do mundo, isso é algo a mais. Isso, sim, é realmente bom. Há quem ligue o assunto à religião, mas sabemos que tornar-se uma pessoa boa não exige um vínculo religioso nem abandonar alguns prazeres mundanos. Quem se foca no bem cultiva sem fazer alarde ou uso pessoal porque lhe é inato e natural. A campanha da Fundação pretende que as boas pessoas angolanas influenciem todas as outras. Sejam o seu espelho e que sejam lembradas por isso. Pessoas que tenham

 

Luísa Fançony : +244 912 510 946

 

 

 

 

 

A QUARTA ONDE FEMINISTA

 

 

Eis um artigo que nos achamou a atenção - As feministas estão de volta à luta. Décadas depois dos protestos pela libertação sexual, nos anos 1960, e mais de um século depois da campanha pelo direito ao voto – causas que uniram gerações inteiras de mulheres –, um feminismo novo e multifacetado está emergindo dos blogs e redes sociais. Muitas das novas militantes são mulheres jovens, educadas na era digital, que passaram a juventude inteira ouvindo dizer que homens e mulheres já tinham direitos iguais. Com a chegada à vida adulta e ao mercado de trabalho, elas depararam com inúmeros sinais de que a igualdade entre os sexos ainda é uma ilusão – e decidiram organizar-se para fazer algo a respeito. Alguns especialistas já descrevem esse fenómeno como o surgimento da quarta onda feminista, para diferenciá-lo dos três outros grandes momentos do feminismo no século XX. Há até quem tenha trocado a palavra “feminismo” por “feminismos” – assim mesmo, no plural. Em vez de formar um movimento único, como no passado, as novas feministas formam vários grupos distintos. As suas causas muitas vezes são semelhantes, mas cada um tem a sua visão de feminismo e a sua estratégia para buscar mais igualdade. As novas feministas têm diferentes formas de protestar. Ex-líder do Femen no Brasil, Sara Winter é uma das radicais. Desde o surgimento do grupo na Ucrânia, em 2008, as passeatas usam a nudez para chamar a atenção da mídia – e muitas vezes terminam com as integrantes na polícia. O grupo já promoveu manifestações diante de templos religiosos, como mesquitas, ou símbolos públicos, como sedes de governos e embaixadas. Sara, que acaba de criar um movimento próprio, com base no Femen, o Bastardxs, acredita no poder do corpo como instrumento de protesto. “A gente choca por meio da nudez descontextualizada”, diz Sara. A Marcha das Vadias, movimento que surgiu em 2011 no Canadá, também usa o espaço público das ruas para seus protestos. Nas marchas, repletas de cartazes com palavras de ordem, há nudez, mas não é obrigatória. “Até homens podem marchar, mas o comando é sempre das mulheres. A única regra é essa”, diz uma integrante da Marcha de São Paulo, que não se quis identificar.

O despertar de um novo feminismo na internet também deu voz a outros grupos, que o movimento feminista tradicional não representava. É o caso do transfeminismo, uma corrente que defende o fim da discriminação não só contra as mulheres, mas também contra as pessoas que não se identificam com comportamentos ou papéis esperados para pessoas do seu sexo. Entre os grupos incluídos na corrente estão os transexuais (aqueles que têm o desejo de viver e ser aceitos como alguém do sexo oposto) e os transgêneros (desde quem se identifica com o gênero oposto até quem se considera parte homem e parte mulher). “Hoje, não é possível ser aquela feminista que só pensa nos direitos das mulheres”, diz Lola. “É preciso debater os direitos de todos.” Uma das ativistas mais importantes da atualidade é a cantora pop americana Amanda Palmer. Ela acredita que o debate político sobre o feminismo não funciona e, por isso, prefere chamar a atenção do mundo para o tema com performances ousadas – geralmente envolvendo nudez – e letras sobre medos e emoções femininas. Amanda também se dedica a criticar a exposição do corpo da mulher como objecto do prazer masculino nos meios de comunicação. A sua vítima mais recente foi o jornal britânico Daily Mail, que publicou a foto de seu seio “fugindo” do sutiã num show. Em resposta, Amanda ficou totalmente nua em outro concerto – e interpretou uma canção que satirizava o jornal. “Mulheres jovens estão finalmente a ser  reeducadas a respeito do que o feminismo significa e que a coisa mais importante é lembrá-lhes de que a batalha nunca foi vencida”, afirma Amanda.

ONDA FEMINISTA DO SÉCULO XXI

O uso de ferramentas tecnológicas como sites de vídeos e redes sociais é uma das principais características do novo feminismo. Os estudiosos do movimento feminista costumam dividir a sua história em três grandes etapas – cada uma delas caracterizada pelas  suas bandeiras e pela incorporação de novos desafios. A primeira onda, no início do século passado, foi marcada pela luta da conquista do poder político, especialmente o direito ao voto. A segunda onda, da década de 1960 até a década de 1980, lutou pelo fim da discriminação e pelo fim de uma estrutura de comando em que somente os homens tinham acesso ao poder. A terceira onda feminista teve início a partir da década de 1990 e contestou as omissões do movimento anterior. Combatia as definições da mulher típicas da segunda fase, que se baseava apenas nas experiências das mulheres brancas de classe média alta americanas e britânicas. Atualmente, especialistas discutem ainda se estaríamos diante de uma quarta fase do feminismo, definido pelo uso das tecnologias para construir um movimento popular forte, reativo e multifacetado na internet.  A nova onda incentiva as mulheres a perceber que a desigualdade não é um problema individual, mas colectivo – e, por isso, precisa de soluções políticas. Outros especialistas discordam da existência da quarta onda feminista e afirmam que o aumento do uso da internet não seria suficiente para delinear uma nova era. Os novos feminismos seriam uma continuação da terceira onda.

Num ponto, todos concordam: o feminismo de fato deixou de ser um movimento único para dar lugar a grupos fragmentados. A mudança é vista como algo natural. “Seria louco juntar todas as mulheres num único movimento, dada a diversidade de suas necessidades e experiências”, afirma a escritora feminista americana Naomi Wolf. Isso não significa que o feminismo tenha se enfraquecido. Pelo contrário: “

O feminismo do século XXI multiplica-se em várias tendências. E usa a tecnologia digital para difundir a ideia de que a igualdade entre os sexos ainda é uma ilusão um trabalho de GRAZIELE OLIVEIRA, COM JÚLIA KORTE  ( 2014).

 

 

 

 

 

 

 

EMOÇÕES NO FEMININO

“Nunca tivemos uma geração tão triste”.

Alguém partilhou um tema dom este título e aguçou a minha curiosidade. Fui logo saber do que tratava. Eram considerações do  psiquiatra Augusto Cury sobre a forma ocmo os nossos filhos estão a ser preparados. Diz ele que  é urgente ficar mais offline e ensinar os filhos a contemplar o belo. Este famoso psiquiatra brasileiro tem livros publicados em mais de 70 países e dá palestras para multidões no Brasil e  fora dele, lançou recentemente uma versão para crianças e adolescentes do seu best-seller Ansiedade - Como Enfrentar o Mal do Século. O autor  fala sobre os desafios de se criar os filhos hoje e não poupou críticas à maneira como a família e a escola têm educado os pequenos. Ele diz que assistimos  ao assassinato coletivo da infância das crianças e da juventude dos adolescentes no mundo todo. Nós alteramos o ritmo de construção dos pensamentos por meio do excesso de estímulos, seja com presentes a todo o momento, seja com o acesso ilimitado a smartphones, redes sociais, jogos de videogame ou excesso de TV. Com todas essas mordomias, os nosso sfilhos estão  a perder as habilidades sócio-emocionais mais importantes: não sabem colocar-see no lugar do outro, não pensam antes de agir, não conseguem  expor   e não impor as suas ideias, não aprendem  a arte de agradecer, etc.  É preciso ensiná-los a proteger a emoção para que fiquem livres de transtornos psíquicos. De acordo com o especialista as novas gerações devem aprender a lidar com os seus pensamentos  para prevenir a ansiedade. Ter consciência crítica e desenvolver a concentração. “Aprender a não agir pela reação, no esquema 'bateu, levou', e a desenvolver altruísmo e generosidade.”
“Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar às nossas crianças a fazerem pausas e a contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: Viciamos os  nossos filhos e alunos a receberem muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O psiquiatra suplica aos pais que proporcionem aos adolescentes mais estímulos para eles se aventurarem, a ter contato com a natureza,  encantarem-se  com a astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais. O Dr Cury diz que os pais procuram, preencher integralmente o tempo das crianças e só lhes dão produtos, transformando-os em consumidores, não cuidando das suas emoções.  Esta abordagem é o muito importante, para todas familias, sobretudo para aquelas que têm possiblidades financeiras e atolam os seus filhos de tecnologia: ipad, smarthfone etc. e nunca lhes dedicam o seu tempo. Diz ele que é preciso  que os pais cruzem o seu mundo com o dos seus filhos. Aqueles pais que se limitam a seguir manuais de regras  estão aptos a lidar com máquinas. É preciso criar uma intimidade real com os pequenos, uma empatia verdadeira.  Quinze minutos na semana podem valer por um ano. Pais têm que ser mestres da vida dos filhos.

Mais  brincadeira, menos informação
“Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam em frente às telas. Sugiro duas horas por dia. Se você não colocar limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de refletir, se interiorizar, brincar e contemplar o belo.”



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