CAMPEONATO FEMININO DE FUTEBOL
Programa EMOÇÕES NO FEMININO do dia 13 de Junho de 2019
EMOÇÕES NO FEMININO
EMOÇÕES NO BRASIL
Depois de alguns dias no Brasil, num momento muito especial, retomamos este nosso monólogo das tardes de quinta-feira. Viajar é preciso. Nós tentamos responder a esta afirmação antiga de um tema musical ligado ao Brasil. Para os turistas o ambiente estava tranquilo. Uma conversa aqui e outra ali, uma boa opinião aqui e outra ali contrária, sobre os dois candidatos, era tudo o que se ouvia. Visita obrigatória ao Corcovado, e a outros pontos turísticos do Rio e um tour à Foz de Iguaçu, às suas catarata e barragem de Itaipu com um tempo chuvoso e um ambiente alegre numa caravana de cerca de 15 pessoas, bem-dispostas, com aquele humor que só a idade permite e o à vontade de quem não deve nada a ninguém e viaja com os seus próprios meios. Estas caravanas com objectivos definidos são muito interessantes – ir a um congresso de salsa, a um jantar da Academia do Bacalhau ou a um torneio de ténis para veteranos, tem um sabor especial e os resultados são sempre muito bons – não os desportivos, no caso do ténis sénior, onde a delegação angolana joga como nunca e perde como sempre. Atendido por amigos brasileiros, ou contactando os funcionários dos locais visitados, nota-se muita cortesia. Há um tratamento que parece normal, onde se percebe gentileza e até educação, algo que não parece circunstancial, mas rotina. O Brasil é um país de turismo e quem se ocupa dele, deve receber uma preparação adequada. As situações de violência devem ter sido registadas durante a nossa estadia. Lamentavelmente muita gente deve ter tido o azar de estar no local errado, na hora errada. Para a nossa caravana estendeu-se um manto de paz e de alegria. Nem Bonsonaro nem Haddad, salvaguardadas as devidas distâncias, nos preocuparam. A propósito disso um editorial da revista Época do dia 29, defini-os como o roto e o esfarrapado. De regresso ao país, o voo introduz-nos nas nossas malambas. O entretenimento não funciona e a mesa não entra na ranhura que tem algo descolado no seu interior. E começamos a pensar logo nas coisas que não funcionam. Voltamos àquilo que não funciona, porque não tem manutenção. Mas voltamos aos nossos afazeres. Porque somos mais velhos, mas temos as nossas ocupações.
Luisa Fançony
Directora Geral
luisa.fancony@lacluanda.co.ao
Tlm: +244 912 510 946
COMO A DEMOCRACIA CHEGA AO FIM
Na sequência da eleição do presidente do Brasil abrem-se muitas discussões sobre a democracia, a extrema direita, extrema esquerda. O professor de política da Universidade de Cambridge David Runciman diz que a extrema-direita de hoje não pode ser comparada com o que se passou tempos atrás. Ele não acredita que estejamos prestes a ver uma repetição do fascismo no Brasil. As nossas sociedades são mito diferentes das que existiam há cem anos atrás. Somos mais maduros e mais conectados. As nossas instituições estão a ser testadas de outra maneira e temos recursos diferentes para reagir. Ele acha que corremos o perigo de acreditar no falso alarme de que a extrema-direita pode repetir os mesmos erros dos anos 1930. Isso não vai acontecer. Devemos temer a crescente intolerância e o esfacelamento das nossas políticas, mas não devemos enganar-nos acreditando que já vimos isso acontecer. Nada na política dura para sempre. Pensar no fim da democracia é estar aberto, porque por definição o futuro é mias aberto que o passado. Um erro que cometemos é definir a democracia com parâmetros do passado. Estamos presos a instituições ultrapassadas e não sabemos como alterá-las. Tratar a democracia como algo intocável é uma das causas do seu enfraquecimento. Usamos métodos antigos para encontrar novas opções. Isso significa que escolhemos políticos que usam os mesmos métodos, mas se apresentam como novos. O professor diz que isso ocorreu com Brexit e com Trump. Os eleitores procuram novas alternativas respaldando-se em fundamentos antigos o que leva a uma grande frustração e se pode tornar um círculo vicioso. Temos de salvar a democracia, ser mais criativos, mais imaginativos e não pensar que a próxima eleição vai resolver os nossos problemas. Professor David Runciman e as suas opiniões expostas no livro COMO A DEMOCRACIA CHEGA AO FIM. E nós que exercitamos a democracia há tão pouco tempo e que transplantamos para aqui o pacote completo de eleições livres, com partidos políticos, imprensa livre, programa de políticas nacionais escolhas entre a direita e a esquerda.
O tema democracia é naturalmente aliciante, numa época em que se diz que os países estão a virar à direita. Infelizmente os partidos de esquerda, com teorias fantásticas tiveram uma actuação ligada à prepotência, à corrupção o que, por exemplo no Brasil, levou a que o candidatado do PT “purgasse nas urnas os erros políticos, económicos e de moralidade cometidos por companheiros de jornada.” Democracia tem muito a ver com o social que é foco desta conversa às quintas. Mas a democracia pode chegar ao fim se não conseguirmos mudá-la. Desde o fim da Segunda Guerra, o triunfo da democracia parecia incontornável. Hoje, contudo, ela vê-se ameaçada, mesmo nos países onde é mais estável. Como chegamos a essa situação? David Runciman argumenta que estamos presos ao passado. Ao nos concentrarmos no fascismo e nos golpes de Estado como as principais ameaças, miramos os alvos errados. As nossas sociedades são complexas demais para colapsar da mesma maneira. Precisamos de novos modos de pensar o impensável — uma visão do século XXI sobre o fim da democracia, e se a sua derrocada nos permitirá avançar em direção a um modelo melhor. Livro provocador, faz as perguntas fundamentais para a compreensão de nossa vida política contemporânea.
Luisa Fançony
Directora Geral
luisa.fancony@lacluanda.co.ao
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EMOÇÕES NO FEMININO
CRÓNICA DE VIAGEM (para um programa de rádio EMOÇÕES NO FEMININO)
25 anos da LAC - UMA RÁDIO DE PRINCIPIOS
Muito boa noite
A LAC promoveu durante este ano, uma série de actividades comemorativas dos seus vinte e cinco anos.
Todas as empresas assinalam as suas datas, mas os meios de comunicação, que se dirigem a uma gama muito variada de pessoas, que são o foco da sua missão, costumam partilhar com elas esses momentos. Foi o que a LAC fez. Promoveu uma série de eventos para os seus ouvintes. O programa incluiu parcerias com diversas entidades, ligadas ao desporto, à cultura e contou com o patrocínio do BCI.
Hoje estamos aqui para homenagear muitas pessoas e entidades que ao longo destes vinte e cinco anos, de forma pontual ou continuada, graciosamente, ou minimamente retribuída, dedicaram a sua atenção à LAC.
Só assim conseguimos vencer muitos obstáculos e chegar ate aqui com altos e baixos, mas sempre com o sentido do equilíbrio. Com algumas desistências intempestivas na programação fruto de incompreensões mais sentidas do que impostas.
Só assim, com a presença de quadros de grande capacidade técnica, conseguimos ser uma referência da radiodifusão angolana.
Recebam o certificado que representa aquilo a que se pode chamar defesa de princípios. A LAC é uma estação com princípios e que os procura disseminar na nossa sociedade. Assim nada mais justo que homenagear os nossos amigos, alguns deles já partidos deste mundo. Há igualmente neste particular, uma chamada para aqueles trabalhadores que vestem a camisola da LAC e dedicam horas e horas a trabalhar nos diferentes projectos sem olhar a horários e a remunerações extra.
Não vale a pena nesta noite falar do nosso negócio, só queremos festejar! Convido-vos a isso à festa dos nossos vinte e cinco anos. Muito obrigado a todos.
EMOÇÕES NO FEMININO
BAÚ DE RECORDAÇÕES
Ouvintes muito boa tarde 28 de Maio de 1993
Sexta-feira termina mais uma semana. A LAC termina em grande, com uma entrevista que o Presidente da República concedeu aos jornalistas ISMAEL MATEUS e PAULA SIMONS. É assim a vida dos jornalistas. De vez em quando compensada com um trabalho de responsabilidade, ao mais alto nível. Não que o trabalho diário, não lhes traga satisfação. Trás e muita! Mas, é preciso de vez em quando levar as preocupações dos cidadãos, que escrevem, telefonam aos responsáveis e ouvir as suas respostas. Os ouvintes da Lac estão de parabéns.
(extracto da conversa com os ouvintes no horário das 18 às 19 horas)
Luisa Fançony
Directora Geral
luisa.fancony@lacluanda.co.ao
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EMOÇÕES NO FEMININO
EMOÇÕES NO FEMININO
A BICICLETA E A EMANCIPAÇÃO DA MULHER
Andar de bicicleta fez mais pela emancipação da mulher do que qualquer outra coisa no mundo”, dizia a feminista americana Susan Anthony, no final do século XIX.
Caros leitores com as facilidades actuais, não custa encontrar temas interessantes relacionados com a emancipação da mulher. Então não é que a bicicleta contribuiu para tornar a mulher mais livre e dona do seu nariz? Tudo isso aconteceu nos finais do século XIX e as americanas de francesas foram as pioneiras no uso da bicicleta, apesar de um médico francês afirmar que a fricção com as partes íntimas poderia tornar a mulher estéril. A mulher ao pegar numa bicicleta decidia onde ir e com quem, sem precisar de dar satisfações a ninguém. Passaram a circular pelo espaço público, ainda com grandes saias e espartilhos. O uso da bicicleta contribuiu para a mudança do vestuário feminino que se tornou mais leve, mais confortável facilitando a circulação de bicicleta. A bicicleta teve o condão de propiciar a reforma do vestuário feminino, mudando também as atitudes sociais em relação à roupa feminina. Maria Pognon, presidente da Liga Francesa de Direitos da Mulher, afirmava que a bicicleta era “igualitária e niveladora”, ajudando a “libertar o nosso sexo”. A palavra liberdade é a que melhor se ajusta à bicicleta. A bicicleta trouxe às mulheres liberdade de movimento e de deslocação, directa e indirectamente, deixando um legado que se estende aos dias de hoje. Ao abordar a questão da mulher e da bicicleta deparámo-nos com muita informação o assunto. Soubemos então que a iraniana Ishbel Taromsari está ou esteve na estrada há dois anos com a sua bicicleta. Se no passado a aventura era uma jornada pessoal, desde setembro de 2016 a volta ao mundo ganhou um novo caráter: no dia 10 daquele mês, Ali Khamenei, líder supremo do Irão, emitiu uma ordem que proibia as mulheres de andar de bicicleta em público. Por isso algumas mulheres foram obrigadas a assinar um documento em que prometiam nunca mais andar de bicicleta. Elas planeavam participar de um evento de ciclismo, mas tiveram de desistir, pois não teriam como treinar: os parques exclusivos para mulheres seriam os únicos locais onde poderiam pedalar. Como não podiam andar de bicicleta as iranianas decidiram postar selfies e vídeos a pedalar. Ishbel, que integrava a equipa nacional de ciclismo feminino do país, fez desta a sua bandeira e engrossa o coro a favor dos direitos das mulheres. Concluindo a bicicleta também contribuiu para a emancipação da mulher.
Luísa Fançony | Directora Geral
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24 ANOS
SONHAR, OUSAR, FAZER DIFERENTE
FUI AO CINEMA
A RAINHA KATWE
Hoje fui à ante estreia do filme. Penso não ter ido ao cinema em Angola, há mais de quarenta anos. Na minha meninice ia às matinées no Cine Teatro de Silva Porto. Aí vi a maior parte dos filmes da época, pelo menos os que eram para menores de dezoito anos. Depois disso fui ao cinema muito poucas vezes em Angola. Hoje fui ao cinema. A um complexo muito bonito e a uma sala grande e confortável. Não faltaram as pipocas, aquelas que afastaram definitivamente o meu marido das salas de cinema no exterior do país. No meu programa AFRIKHYA tinha reproduzido a opinião de Sousa Jamba sobre o conteúdo do filme e depois de saber que ele seria exibido em Angola, fui ver o que se dizia dele em alguns sites. A Helena Casimiro que tem estado emprestada à rádio e faz com outros jovens o MATABICHO DE DOMINGO, foi a grande impulsionadora da presença do filme entre nós. Ela diz que se sentiu motivada por várias razões e uma delas o facto do filme ser da Disney que sempre nos deu a ver a beleza das princesas loiras e brancas e que na Rainha do Katwe mostra uma África vencedora e uma “princesa” de carrapitos na cabeça. Não se pode dizer que o filme mostre um conto de fadas negras. O drama da vida de uma família monoparental alterna momentos de sucesso da protagonista com os desaires de quem é pobre e vive em condições muito precárias. Ainda me doem os olhos, de deixar tanta lágrima aflorar e lutar para que não escorresse pelo rosto abaixo. Algumas cenas tocam até os corações mais empedernidos. Eu, com a idade, emociono-me com um olhar, com uma palavra. O filme mostra a pobreza de uma povoação de Harare onde vive Phiona, mas mostra também os colégios da cidade com os meninos bem. Mostra a violência da extrema pobreza de onde sai Phiona, com uma mãe vendedora de milho e principalmente a tenacidade do treinador, um engenheiro que trabalha para o estado e recusa um bom salário no privado para poder ficar com os seus “pioneiros”. O filme mostra um pouco de tudo o que acontece em qualquer parte do mundo. Prostituição, sedução, lixo, as desgraças provocadas pela chuva, uma gravidez indesejada, nada foi poupado ou embelezado. Concordo com Sousa Jamba que destacou o papel do engenheiro na sua crónica LIDERES QUE SONHAM falou do filme rodado no Uganda e na África do Sul com o nome RAINHA DO KATWE. O jornalista colocou ênfase na liderança do jovem engenheiro que apoiado por uma igreja tenta organizar os jovens daquele bairro pobre ensinando-lhes xadrez. Graças à liderança deste treinador que motiva os jovens do ghetto ugandense, o mundo passou a saber de uma das maiores fraquezas que o continente africano vai enfrentando o desafio de mobilizar e organizar o capital humano. O poderio do continente africano está no talento do seu povo. Lideres como o engenheiro do filme não se conformam com o status quo. Eles sonham e dedicam as suas vidas mobilizando as pessoas para a realização desses sonhos. Ao assistir hoje à projecção do filme constatei que ele tem razão. Para mim também o herói é o engenheiro, o treinador de Phiona e do irmão.
BOAS PESSOAS
Neste mês de Novembro vivemos as emoções no feminino, falando de boas pessoas. Ao recebermos um dossier da Fundação Lwini, confirmámos a nossa simpatia pela organização, que já nos levou a apadrinhar uma criança num projecto intitulado MIL AFECTOS, MIL SORRISOS. Aproxima-se a quadra festiva e por isso é o tal tempo de sermos bons, na ironia do poeta. A Fundação recolhe donativos de várias formas. Organiza um baile anual que conta normalmente com um artista internacional, passeios turísticos pelo país, etc. Mas em 2016, apresentou um programa de intervenção social intitulado EDUCAR É A NOSSA MISSÃO cuja introdução diz o seguinte: Vivemos num período de grande crescimento social e económico, de intercâmbio com o mundo, de novas ideias, conceitos e tecnologias. Porém neste conjunto de novidades, na nova dinâmica da sociedade, as boas pessoas por vezes perdem a voz e com isso se enfraquecem os nossos bons costumes. Os lares, escolas e cidades perdem valores como os laços familiares, o respeito, a solidariedade e outros tantos que são os fundamentos de uma sociedade saudável. É hora de darmos voz às boas pessoas que temos em nossas vidas – no lar, na vizinhança, no trabalho, na governança. Sobretudo devemos despertar e ensinar os nossos valores, a nossa humanidade, para a formação de uma sociedade mais justa, mais pacífica e mais ordenada. No programa estava previsto um tema para cada mês – Em novembro é a liberdade, que significa decidir com responsabilidade. É um direito que nos permite escolher o que fazer com as nossas vidas, como dispor dos nossos talentos e habilidade, posses e tempo, porém reconhecendo os nossos limites. É a autonomia e a espontaneidade, de um sujeito racional; elemento qualificador e constituidor da condição dos comportamentos humanos voluntários. Somos livres quando respeitamos as leis e as normas, caso contrário podemos pagar com a falta desta. Em Dezembro o tema central é o amor. Vamos ouvir música e depois ver como se pode despertar Aa boa pessoa que há dentro de nós.
Todos conhecemos uma boa pessoa. Uma boa pessoa é aquele familiar, amigo, colega ou conhecido que faz as coisas como deve ser. Que cumprimenta com um sorriso é cordial, respeita a si e aos outros e inspira confiança. Uma boa pessoa é aquela que ensina a fazer o que é certo, que é solicita, que ouve e aconselha com sabedoria quando é preciso. Uma boa pessoa é aquela com quem podemos contar porque sempre está aqui. Angola tem muito boas pessoas, tu mesmo conheces várias: são mães, pais, irmãos, tios, avós, colegas, educadores, amigos; e outros tantos que todos os dias dão o melhor de si para assegurar o bem-estar da família e da sociedade. É muito fácil lembrar das boas pessoas, porque dão bons testemunhos e quando as conhecemos elas ficam em nossos corações. São pessoas que deixam marcas, às vezes com uma palavra, um acto. Uma boa pessoa faz uma família unida e muitas boas pessoas fazem melhor toda a nação. Angola precisa da boa pessoa que existe em nós. Vivemos num período de grande crescimento social e económico, de intercâmbio com o mundo, de novas ideias, conceitos e tecnologias. Porém neste conjunto de novidades, na nova dinâmica da sociedade, as boas pessoas por vezes perdem a voz e com isso se enfraquecem os nossos bons costumes. Os lares, escolas e cidades perdem valores como os laços familiares, o respeito, a solidariedade e outros tantos que são os fundamentos de uma sociedade saudável. Quando não existe o diálogo dentro da família, perde-se a união os valores morais e a sociedade inteira sofre com o crescimento da delinquência, violência, injustiça, insalubridade, do desrespeito ao ser humano e da falta de solidariedade. Quando olhamos para a nossa comunidade e pensamos que é mais fácil desconfiar do mal que confiar no bem, é hora de despertar a boa pessoa que existe dentro de cada um de nós e, juntos, resgatarmos a civilidade, os valores morais e éticos, e a cidadania da nação angolana.
AS BOAS PESSOAS QUE PODEMOS SER
Hoje escolhemos o tema das boas pessoas que todos nós conhecemos. Ao vermos as notícias pensamos que a nossa sociedade está perdida. Só há mães que abandonam os filhos, mulheres que se prostituem, miúdos bandidos, homens malvados, assassinos, gatunos etc. as noticias só falam das más pessoas. Só relatam actos maléficos. Só mostram a cara das más pessoas. Claro que é preciso denunciá-las. Mas nós temos muito boas pessoas senão o nosso país já se teria tornado um inferno. Todas as semanas há notícias de pessoas que são baleadas quando levantam dinheiro. Pessoas que morrem à mão de um bandido qualquer, que acha que pode usufruir daquilo que os outros ganharam. A difusão de bons conselhos pela rádio, pode ajudar. Mas não resolve. Só a educação pode resolver. Antes é preciso que muitos dos problemas sociais sejam resolvidos. Há muitas pessoas boas a morreram às mãos de pessoas más. Muitas são más circunstancialmente. Nunca pensaram roubar ou matar. Ficamos sempre preocupados quando ouvimos e vemos na televisão as pessoas a contarem como cometeram o crime. Até vimos uma pessoa dessas arrependida, e que agora é um activista religioso. De cara lavada, muito bom aspecto, mas mesmo assim, ficámos arrepiadas ao ouvi-lo contar o que já fez, num programa da nossa TV. Agora parece ser uma pessoa boa. Mas o que é ser uma boa pessoa, para começar? A resposta vem-nos de alguém num blog. Parece haver vários níveis de bondade e de maldade no mundo. Madre Teresa é um exemplo extremo de bondade. Mas a questão é que, em geral, uma pessoa que toma conta de si e não incomoda os outros já é considerada uma boa pessoa. Não que isso seja pouco. São muitas as possibilidades da pessoa se perder por aí e virar um problema (muitas vezes sem solução) para amigos e família. Mas será que ter um emprego, uma casa e seguir a sua vida sem depender nem dar trabalho a ninguém já é ser uma boa pessoa? A verdade é que nos contentamos com o mínimo. Cuidar de si mesmo é o mínimo. Tentar fazer algo de bom pelo resto do mundo, isso é algo a mais. Isso, sim, é realmente bom. Há quem ligue o assunto à religião, mas sabemos que tornar-se uma pessoa boa não exige um vínculo religioso nem abandonar alguns prazeres mundanos. Quem se foca no bem cultiva sem fazer alarde ou uso pessoal porque lhe é inato e natural. A campanha da Fundação pretende que as boas pessoas angolanas influenciem todas as outras. Sejam o seu espelho e que sejam lembradas por isso. Pessoas que tenham
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A QUARTA ONDE FEMINISTA
Eis um artigo que nos achamou a atenção - As feministas estão de volta à luta. Décadas depois dos protestos pela libertação sexual, nos anos 1960, e mais de um século depois da campanha pelo direito ao voto – causas que uniram gerações inteiras de mulheres –, um feminismo novo e multifacetado está emergindo dos blogs e redes sociais. Muitas das novas militantes são mulheres jovens, educadas na era digital, que passaram a juventude inteira ouvindo dizer que homens e mulheres já tinham direitos iguais. Com a chegada à vida adulta e ao mercado de trabalho, elas depararam com inúmeros sinais de que a igualdade entre os sexos ainda é uma ilusão – e decidiram organizar-se para fazer algo a respeito. Alguns especialistas já descrevem esse fenómeno como o surgimento da quarta onda feminista, para diferenciá-lo dos três outros grandes momentos do feminismo no século XX. Há até quem tenha trocado a palavra “feminismo” por “feminismos” – assim mesmo, no plural. Em vez de formar um movimento único, como no passado, as novas feministas formam vários grupos distintos. As suas causas muitas vezes são semelhantes, mas cada um tem a sua visão de feminismo e a sua estratégia para buscar mais igualdade. As novas feministas têm diferentes formas de protestar. Ex-líder do Femen no Brasil, Sara Winter é uma das radicais. Desde o surgimento do grupo na Ucrânia, em 2008, as passeatas usam a nudez para chamar a atenção da mídia – e muitas vezes terminam com as integrantes na polícia. O grupo já promoveu manifestações diante de templos religiosos, como mesquitas, ou símbolos públicos, como sedes de governos e embaixadas. Sara, que acaba de criar um movimento próprio, com base no Femen, o Bastardxs, acredita no poder do corpo como instrumento de protesto. “A gente choca por meio da nudez descontextualizada”, diz Sara. A Marcha das Vadias, movimento que surgiu em 2011 no Canadá, também usa o espaço público das ruas para seus protestos. Nas marchas, repletas de cartazes com palavras de ordem, há nudez, mas não é obrigatória. “Até homens podem marchar, mas o comando é sempre das mulheres. A única regra é essa”, diz uma integrante da Marcha de São Paulo, que não se quis identificar.
O despertar de um novo feminismo na internet também deu voz a outros grupos, que o movimento feminista tradicional não representava. É o caso do transfeminismo, uma corrente que defende o fim da discriminação não só contra as mulheres, mas também contra as pessoas que não se identificam com comportamentos ou papéis esperados para pessoas do seu sexo. Entre os grupos incluídos na corrente estão os transexuais (aqueles que têm o desejo de viver e ser aceitos como alguém do sexo oposto) e os transgêneros (desde quem se identifica com o gênero oposto até quem se considera parte homem e parte mulher). “Hoje, não é possível ser aquela feminista que só pensa nos direitos das mulheres”, diz Lola. “É preciso debater os direitos de todos.” Uma das ativistas mais importantes da atualidade é a cantora pop americana Amanda Palmer. Ela acredita que o debate político sobre o feminismo não funciona e, por isso, prefere chamar a atenção do mundo para o tema com performances ousadas – geralmente envolvendo nudez – e letras sobre medos e emoções femininas. Amanda também se dedica a criticar a exposição do corpo da mulher como objecto do prazer masculino nos meios de comunicação. A sua vítima mais recente foi o jornal britânico Daily Mail, que publicou a foto de seu seio “fugindo” do sutiã num show. Em resposta, Amanda ficou totalmente nua em outro concerto – e interpretou uma canção que satirizava o jornal. “Mulheres jovens estão finalmente a ser reeducadas a respeito do que o feminismo significa e que a coisa mais importante é lembrá-lhes de que a batalha nunca foi vencida”, afirma Amanda.
ONDA FEMINISTA DO SÉCULO XXI
O uso de ferramentas tecnológicas como sites de vídeos e redes sociais é uma das principais características do novo feminismo. Os estudiosos do movimento feminista costumam dividir a sua história em três grandes etapas – cada uma delas caracterizada pelas suas bandeiras e pela incorporação de novos desafios. A primeira onda, no início do século passado, foi marcada pela luta da conquista do poder político, especialmente o direito ao voto. A segunda onda, da década de 1960 até a década de 1980, lutou pelo fim da discriminação e pelo fim de uma estrutura de comando em que somente os homens tinham acesso ao poder. A terceira onda feminista teve início a partir da década de 1990 e contestou as omissões do movimento anterior. Combatia as definições da mulher típicas da segunda fase, que se baseava apenas nas experiências das mulheres brancas de classe média alta americanas e britânicas. Atualmente, especialistas discutem ainda se estaríamos diante de uma quarta fase do feminismo, definido pelo uso das tecnologias para construir um movimento popular forte, reativo e multifacetado na internet. A nova onda incentiva as mulheres a perceber que a desigualdade não é um problema individual, mas colectivo – e, por isso, precisa de soluções políticas. Outros especialistas discordam da existência da quarta onda feminista e afirmam que o aumento do uso da internet não seria suficiente para delinear uma nova era. Os novos feminismos seriam uma continuação da terceira onda.
Num ponto, todos concordam: o feminismo de fato deixou de ser um movimento único para dar lugar a grupos fragmentados. A mudança é vista como algo natural. “Seria louco juntar todas as mulheres num único movimento, dada a diversidade de suas necessidades e experiências”, afirma a escritora feminista americana Naomi Wolf. Isso não significa que o feminismo tenha se enfraquecido. Pelo contrário: “
O feminismo do século XXI multiplica-se em várias tendências. E usa a tecnologia digital para difundir a ideia de que a igualdade entre os sexos ainda é uma ilusão um trabalho de GRAZIELE OLIVEIRA, COM JÚLIA KORTE ( 2014).
EMOÇÕES NO FEMININO
“Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar às nossas crianças a fazerem pausas e a contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: Viciamos os nossos filhos e alunos a receberem muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O psiquiatra suplica aos pais que proporcionem aos adolescentes mais estímulos para eles se aventurarem, a ter contato com a natureza, encantarem-se com a astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais. O Dr Cury diz que os pais procuram, preencher integralmente o tempo das crianças e só lhes dão produtos, transformando-os em consumidores, não cuidando das suas emoções. Esta abordagem é o muito importante, para todas familias, sobretudo para aquelas que têm possiblidades financeiras e atolam os seus filhos de tecnologia: ipad, smarthfone etc. e nunca lhes dedicam o seu tempo. Diz ele que é preciso que os pais cruzem o seu mundo com o dos seus filhos. Aqueles pais que se limitam a seguir manuais de regras estão aptos a lidar com máquinas. É preciso criar uma intimidade real com os pequenos, uma empatia verdadeira. Quinze minutos na semana podem valer por um ano. Pais têm que ser mestres da vida dos filhos.
“Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam em frente às telas. Sugiro duas horas por dia. Se você não colocar limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de refletir, se interiorizar, brincar e contemplar o belo.”
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