A INVEJA E AS MULHERES
A MICHELE OBAMA É GENERALISTA
A PROSTITUIÇÃO NÃO É UMA PROFISSÃO ANTIGA
CRÓNICA
VIVÊNCIAS E REFERÊNCIAS
VIVÊNCIAS E REFERÊNCIAS
Assistimos no Centro Camões a um revisitar Eugénio Ferreira. Pessoas que lidaram pessoalmente com essa figura fizeram os seus depoimentos e foi muito bom ouvi-las e sobretudo foi muito bom para mim ter conhecido o Dr. Eugénio ferreira, tê-lo entrevistado no ambiente da sua biblioteca, para um programa que fazia na TPA e ter sido escolhida para, como aluna de direito ( ano zero) ir ao tribunal de trabalho servir de defensora oficiosa. Estive várias vezes em sua casa, com a família na sala, usufruindo de cortesia, deferência e boa educação. Corri para ele para me ajudar a resolver como aplicar uma ordem superior de despedir um quadro assim, sem processo disciplinar, sem nada. E dele recebi a resposta certa, porque afinal a ordem, que não cumpri, acabou por ser anulada. Na homenagem do Instituo Camões foram descritas as qualidades do homenageado, primeiro pela directora do Instituto Camões Dr.ª Teresa Mateus que leu traços da sua biografia e vários depoimentos de pessoas que conheceram o Dr. Eugénio Ferreira que chegou a Angola em 1943. e teve um diversificado percurso que foi da luta pela independência de Angola processo de descolonização, e que se assumiu sempre como “intrinsecamente português” e “orgulhosamente angolano”. O pensamento de “Angolanidade” de EUGÉNIO FERREIRA percorre horizontalmente um largo espectro. Do Direito à Cultura e à Política, sem esquecer a dimensão Social. Durante mais de 50 anos foi sujeito activo e militante, sempre inspirado nos princípios da liberdade, dignidade humana e na defesa da cultura integral do Homem. Falaram do seu contacto e reconhecimento por esse convívio várias personalidades ligadas nomeadamente à justiça. Para este espaço conta sobretudo o exemplo de dignidade que foi transmitido, e que deve ser assimilado pelos homens das leis mais jovens do nosso país. As pessoas precisam de ter referências. Nós não podemos fazer o mesmo percurso que outras pessoas que admiramos. Mas podemos guiar-nos por esses pontos de referência para nos orientar pela vida fora. Neste mar difuso de acontecimentos que vão marcando as sociedades, às vezes fica difícil escolher um modelo, mas que os há, há. É preciso aproveitar.
Língua portuguesa
A língua portuguesa
No meu espaço das quintas-feiras, expresso as minhas emoções, que se voltam para os mais distintos assuntos. A utilização da língua portuguesa é um assunto recorrente, fazendo eco de trabalhos de pesquisadores. Digamos que o uso da língua portuguesa na nossa sociedade "é o problema que estamos com ele" e que tem preocupado várias pessoas. Carlos Almeida é uma delas. Também as professoras Maria Helena Miguel e Maria Antónia Alves , que lançaram um livro intitulado LINGUA PORTUGUESA - TIRA DÚVIDAS DE A a Z. têm essa preocupação. O objectivo do livro é esclarecer de uma forma rápida, simples e sucinta, as dúvidas que a língua portuguesa vai apresentando no dia a dia. A ideia é solucionar problemas linguísticos de forma simples e clara. Há na verdade muitos problemas no uso da língua portuguesa inclusive por pessoas licenciadas e que são especialistas em determinada matéria, mas que deslustram, por vezes as suas intervenções, por usarem de forma errada algumas expressões. O presente do conjuntivo é uma das grandes dificuldades. Médicos, advogados e outros técnicos dizem que seje, que esteje de uma forma tão convincente que parece não terem dúvidas. Dúvidas todos temos diariamente. É com s ou com z, é com é ou com i. Enfim não é fácil. Portanto os parabéns às duas autoras. Há em todas as sociedades que se preocupam com a utilização da língua. Ao ler o Jornal de Letras ficámos a conhecer um senhor chamado ANTÓNIO HOUAISS que foi um dos maiores estudiosos da língua portuguesa no Brasil e que Jacinto Rego de Almeida que escreve a crónica, diz que tem muitos inimigos em Portugal devido ao acordo ortográfico de que foi o maior impulsionador e artífice no Brasil. Como sabem os ouvintes somos defensores de que a língua portuguesa em Angola deve ser bem falada isso sem deixar de ter a nossa pronúncia e as frases e palavras que vamos introduzindo, cheias de ritmo e conteúdo. As senhoras Maria Helena Miguel e Maria Antónia Alves colocaram à nossa disposição um livro cheio de exemplos, uma ferramenta muito útil para todos. Não devemos ter complexos de tirar dúvidas, para nos expressarmos e escrevermos num português correcto. Repito que isto não tem nada a ver com a pronuncia e o ritmo que nós angolanos, damos à língua. E já agora vamos deixar também a nossa dica, a propósito de uma imitação daquilo que os nossos irmãos brasileiros dizem:
ASSISTIR
Assistir – estar presente, acompanhar, auxiliar, ajudar, socorrer
Tem se verificado a utilização do verbo assistir para todas as circunstâncias onde seria mais conveniente utilizar outro verbo:
Em vez de “assistir televisão” deve-se utilizar - ver televisão, ver um filme
Assiste-se a um bom espectáculo, a uma cerimónia, a qualquer forma de actividade humana - quer dizer a acção quando decorre nós estamos presentes. Essa actividade gravada, vamos vê-la pela televisão.
"O doente foi assistido pelos bombeiros" "Quem assiste o passageiro, é a aeromoça"
PAPOITES E CATORZINHAS
PAPOITES E CATORZINHAS
Há uma outra forma encontrada pelas jovens para garantir uma vida mais confortável. São os estrangeiros, alguns deles com um aspecto quase de avôs delas, mas que as levam aos restaurantes e às festas de abanar o capacete. Alguns destes senhores fazem figuras tristes aos nossos olhos, sobretudo a quem os conheça fora ou mesmo dentro de Angola já as suas esposas de vez em quando vêm passar férias. Nada contra eles, nem contra elas, apenas é mais um fenómeno, que não dá segurança aos relacionamentos. São uniões que respondem aos interesses de ambas as partes. Uma parte está momentaneamente sozinha e a outra quer usufruir de uma vida melhor, fazer up grade à sua condição.
É triste que as únicas formas que as raparigas encontrem sejam tão inseguras e tão interesseiras, a maior parte das vezes o amor não entra nestes relacionamentos. Que tipo de raparigas se agarram aos papoites e aos estrangeiros mais velhos, alguns deles bem barrigudos, feios e sem muita instrução. O que nos interessa são as jovens, que deveriam estar a estudar ou a trabalhar ou a fazer as duas coisas ao mesmo tempo, com sacrifício, mas com muita honestidade e integridade. O que nós pretendemos é ter jovens instruídas. Não conseguimos ter percentagens, mas como por outro lado ouvimos falar de muita degradação, muita promiscuidade, ficamos com uma ideia, possivelmente errada, de que as jovens luandenses, só estão à caça de papoites e de estrangeiros para usufruírem de alguma comodidade. Também neste capítulo são necessárias pesquisas, dados, números.
Na verdade, o problema que vivemos diz respeito às carências das famílias. Carências financeiras e morais. Estamos todos de acordo com isso, menos os papoites que se aproveitam da situação, namorando meninas da idade das filhas. Nas relações das nossas jovens com estrangeiros, normalmente casados nos seus países, há algumas questões a favor, se houver alguma paixão ou amor. A relação entre os homens mais velhos com moças mais jovens tem algumas vantagens escrevem os experts. Mais segurança, realização profissional dele, ascensão social e até financeira dela. A energia da jovem estimula o parceiro. O parceiro sente-se mais forte, mais potente, mais necessário, mais útil. Mas há as dificuldades...
Nessas relações, dificilmente, a mulher consegue compreender os conflitos próprios da idade mais avançada, pois ela não viveu certas situações.... A jovem nunca esteve casada. Não tem como entender como é. E também não diferencia bem os sentimentos do amado. Outra dificuldade comum é que muitas mulheres jovens acabam por passar por interesseiras. Nem sempre, o dinheiro é o motivo principal do interesse da jovem mulher, mas contribui. Se a relação se tornar efectiva a diferença de idades que parecia aparente, e que não interferiu no início, vinte anos depois, as marcas tornam-se evidentes. A mulher passa a ter mais noção do que é belo, sabe o que a atrai num homem, conhece mais o seu corpo, tem mais experiência sexual e está mais disponível, mais solta, mais liberta... É o momento em que a mulher, também, está estruturada profissional e socialmente, então, surgem novos problemas. Relações humanas, sempre complicadas sobretudo se acrescermos a isso, uma sociedade desestruturada, onde o anormal parece ter mais força do que o normal.

DESABAFO
Quem é homenageado sente uma série de emoções. Será que merece todos aqueles elogios? Porquê eu e não outra pessoa? Há tantas pessoas trabalhadoras, honestas...
E vamos revendo os defeitos, aqueles que nos foram sendo apontados ao longo da vida. Esses ficam esquecidos. Até quase nos esquecemos que os temos. Nas homenagens, como é óbvio celebram-se as qualidades. Aliás é isso que às vezes nos esquecemos de fazer - elogiar. Um defeito.
Nas homenagens celebram-se as acções que valorizaram os outros. Não falamos deles. Um defeito. Nas homenagens celebram-se as atitudes, o posicionamento. Tantas vezes demoramos a tomar as decisões. Um defeito.
Mas voltemos às emoções do dia 15 de Março.
Foram muitas aquelas que apertam o coração e fazem assomar aos olhos aquelas lágrimas teimosas que não deixamos correr. Como dizem os brasileiros: aguenta coração. Uma das perguntas que as jovens repórteres mais me fizeram, foi como me sentia depois da homenagem. Esta pergunta obriga-nos a fazer um balanço interior, afinal o que foi que eu fiz para merecer esta homenagem e não outra pessoa, que tal como eu procurou cumprir com as suas responsabilidades pessoais?
Mas depois voltamos à realidade que nos diz que são os outros que nos julgam e apontam qualidades de que nós sequer temos conhecimento. A verdade é que me senti vaidosa, orgulhosa. Interessa aqui, apontar o valor destas homenagens prestadas em vida. Depois têm significado para quem fica, o homenageado parte na ignorância do valor que lhe atribuem.
No nosso país tem se procurado, através de diferentes formas, homenagear as virtudes de várias personalidades e a forma como utilizou as suas responsabilidades individuais para com a sociedade.
De acordo com os estudiosos, a raça humana tem necessidade de evidenciar a capacidade de algumas pessoas, de lidar com as necessidades dos grupos a que estão ou estavam ligadas.
Todos temos de agir no nosso dia-a-dia de forma honesta: trabalhar correctamente, cumprir horários, executar eficientemente as nossas funções em tempo e qualidade independentes do nosso salário ou da nossa função. E voltando à homenagem, foi isso que fomos fazendo ao longo da vida e que os amigos não quiseram deixar passar em branco. BEM HAJAM
