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A INVEJA E AS MULHERES


A vida da mulher faz-se com muita luta. Desde muito pequena, a mulher aprende a lutar, mesmo quando todos a pensam dócil e submissa. Talvez esse silêncio perante as coisas aguce a sua forma de analisar as questões, acabando por se tornar invejosa. Diz-se normalmente que as mulheres são muito invejosas e isso reflecte-se mais nos seus locais de trabalho. É comum ouvir-se falar de fricções que surgem entre as mulheres, quando lidam umas com as outras. Fala-se de intriga, inveja, despeito. E a nossa “ideóloga” – Harriet Rubin diz que as mulheres sabotam as mulheres, nunca pensam nas mulheres como armas para a sua própria luta. Como amigas sim; como conselheiras sim. Mas numa luta, por norma as mulheres nunca esperam que as outras mulheres as ajudem., esperam que elas lhes roubem o homem, subvertam o elogio, ou pura e simplesmente destruam qualquer coisa de valioso.
Pode haver duas vagas de vice-presidência distribuídas às mulheres gerentes da minha empresa. Pensam que vou ajudar outra mulher que me poderia vencer e conseguir esse lugar? As mulheres lutam umas contra as outras ou cedem-se umas às outras para satisfazer o predador maior. Numa situação de mudança de jogo, entretanto as mulheres são armas poderosas para as outras mulheres. Muitas vezes elas apercebem-se que podem avançar mais promovendo a carreira da outra. Elogiando os êxitos da outra e no seu círculo de relações cada mulher através de repetidas referências da outra, adquire um estatuto cada vez mais elevado. Fonte geradora de conflitos, a inveja compromete seriamente os resultados de uma empresa. Grupos em desentendimentos e desavenças não avançam nem produzem bons resultados. Cabe ao gestor de pessoas, tanto quanto aos responsáveis pelos processos organizacionais, identificar imediatamente o problema, tratá-lo de forma clara, inclusive com auxílio psicológico e sanar as dificuldades, antes que tudo possa ficar perdido.
Harriet Rubin atribui às mulheres esse sentimento de inveja. Elas têm inveja umas das outras e dá alguns exemplos: Se vão mulheres num carro e a polícia manda parar…elas duvidam que sejam perdoadas, por qualquer infracção, era mais provável que um agente o fizesse… a mulher polícia procurará mostrar a sua autoridade sobre elas. É o mesmo num guichet público. A funcionária vai implicar mais se for uma mulher do que se for um homem. Sobre a sua cliente vão recair todas as suas frustrações de mulher mal paga ou mal-amada. É por isso que as noras e as sogras muitas vezes não se dão bem…há competição surda pela posse do filho ou do marido. As mulheres põem muitas dúvidas sobre o que as outras têm e o modo como o obtiveram. Todos os comportamentos das outras são reprováveis. Umas malucas, que não se dão ao respeito. E não se trata de educação ou instrução. O filósofo Aristóteles acreditava que a inveja era consequência da semelhança e da proximidade dos indivíduos. Ela está relacionada com a ambição e surge da comparação. Para Freud, a inveja é a origem da justiça que gera a necessidade de igualdade de tratamento. Acredita-se, também, que esse sentimento está relacionado com a ausência de condições básicas para a sobrevivência. A necessidade de status através dos bens e virtudes humanas são factores que geram inveja. Essa, pode ser uma das razões, para existir tanta inveja entre as mulheres, mas não explica todos os casos que se constatam na nossa vida.

A MICHELE OBAMA É GENERALISTA


Como os ouvintes sabem, andamos sempre à cata, se nos permitem este termo, de assuntos para nos emocionarmos. Quer dizer para trazermos para este espaço onde é suposto vivermos emoções no feminino. No jornal Mercado do dia 8 deste mês encontrámos uma foto de Michelle Obama a dizer que ela é generalista. Pensamos que a mulher do presidente dos Estados Unidos tem carisma e normalmente acompanhamos a sua actividade com atenção. Mas o artigo da revista HARVARD BUSINESS, nem sequer fala de Michele, serviu-se apernas da sua imagem para chamar a nossa atenção. Então a questão é que os generalistas vencem os especialistas nas ofertas de emprego. Numa pesquisa feita por professores de uma escola de Columbia, ficou claro os especialistas têm mais dificuldade em arranjar emprego e quando arranjam ganham menos. Excepção feita aos médicos cirurgiões, onde se requer que o especialista já tenha muita prática do mesmo tipo de operação. Há outras excepções naturalmente. As pessoas que têm capacidades diferentes, podem ser usadas em diversas situações e têm probabilidade de serem vistos como lideres. Em relação ao especialista ele corre o risco de encontrar no mercado muitas pessoas com o ser perfil. “A especialização acaba por se tornar uma mercadoria, dando aos profissionais menos poder de negociação por ser facilmente substituível. Alguém que tenha concretizado muitas coisas é melhor do que alguém que esteja sempre a fazer a mesma coisa. As pessoas que demonstraram talento em áreas diferentes parecem ter vantagens” O estudo não analisou a questão do género, mas na amostra dos pesquisadores as mulheres casadas recebiam bónus inferiores e tinham menos probabilidades de receber múltiplas ofertas de emprego do que os homens casados. Uma outra questão que foi relatada é a dos jogadores de basquetebol, algumas pesquisas mostraram que aqueles que se especializam no lançamento dos três pontos, faziam menos dinheiro do que os outros que também eram capazes de fazer outras coisas bem. Dizia-se que as equipas agora querem quem seja capaz de jogar em todas as posições, com capacidade para o fazer de diferentes maneiras. “Quando somos bons numa área tendemos a continuar a melhorar nessa mesma área. O artigo termina com uma advertência para que não deixe de contratar especialistas. O estudo é uma reflexão com considerações gerais para os gestores e que não pode ser aplicada” ipsis verbis”. Concordamos em parte com estas conclusões, apesar de sermos contra aquilo que muitos jovens fazem que é andar de experiência profissional em experiência, não parando em lado nenhum. Mas de especialistas todos nós precisamos, de um bom pedreiro, carpinteiro, electricista etc. Há profissões onde o acto repetitivo é fundamental.

A PROSTITUIÇÃO NÃO É UMA PROFISSÃO ANTIGA

A PROSTITUIÇÃO NÃO É UMA PROFISSÃO ANTIGA

Fica-se sempre chocado quando se lê algo sobre a prostituição. Fica-se revoltado quando se chama à prostituição profissão e acrescenta-se a mais antiga do mundo. Apesar de fortemente disseminada no senso comum, a ideia de que a prostituição seja a profissão mais antiga do mundo, não existe qualquer fundamento histórico ou antropológico que ateste essa teoria, já que os mais antigos registos de actividades humanas revelam as mais variadas especializações como agricultura e caça, mas raramente revelam indícios de prostituição, que normalmente exige um contexto social posterior. O Jornal o País trouxe uma reportagem do Lubango sobre a prostituição ali existente e preocupante a todos os níveis. Já em tempos fizemos referência ao mesmo flagelo aqui em Luanda, com mulheres angolanas e estrangeiras.  O título da reportagem é SEXO SOB O OLHAR DE NOSSA SENHORA - pois as jovens levam os seus clientes para a imediações da Igreja de Nossa Senhora do Monte. A policia acha que o negócio tem os seus tentáculos em pessoas influentes senão seria melhor combatido. Um estudo da socióloga Raida Neusa Gomes Nelson afirma que há quatro níveis de prostituição. Alto nível, familiar, alto risco e trabalho sexual. A de alto nível é praticada por mulheres da elite que trabalham e que seleccionam os seus clientes de elevado poder financeiro. Tê, um status social elevado, um bom emprego, mas querem mais. As prostitutas de família, são donas de casa, casadas ou vivendo maritalmente e que por questões económicas se sujeitam algumas delas com o conhecimento e consentimento do cônjuge. As de alto risco são as jovens e adolescentes que estão nas ruas e muitas vezes são maltratadas. E finalmente as trabalhadoras sexuais que atendem os seus clientes em casas próprias. Assumem publicamente o seu oficio. Diz a especialista que muitas destas mulheres são conhecidas tal como os seus clientes. Este é um problema social, muito difícil de resolver. Pensamos que nenhuma sociedade conseguiu bani-lo totalmente. Há quem o legalize como profissão como acontece com a Alemanha, ou quem de alguma forma proteja as mulheres que se dedicam a essa actividade, com informações e aconselhamento médico. Das cortesãs às mulheres de má vida a história da humanidade tem sido sempre confrontada com a existência de mulheres que usam as relações sexuais para obter favores materiais. Modernamente a prostituição atingiu as crianças e a internet entrou no circuito. A ONU, em 1949, denunciou e tentou tomar medidas para o controle da prostituição no mundo. Desde o início do século XX, os países ocidentais tomaram medidas visando  retirar a prostituição da actividade criminosa onde se tinha inserido no século anterior, quando a exploração sexual passou a ser executada por grandes grupos do crime organizado; portanto, havia a necessidade de desvincular prostituição propriamente dita de crime, de forma a minimizar e diminuir o lucro dos criminosos. Dessa forma as prostitutas passaram a ser somente perseguidas pelos órgãos de repressão se incitassem ou fomentassem a actividade publicamente. Verifica-se que na prática houve e há situações de tolerância ou de impotência por parte das autoridades já que, como todos os flagelos sociais, a principal causa é a pobreza a exclusão e para as mulheres de alto nível a falta de respeito por si próprias, o que no fundo acaba por ser uma carência, a pior de todas.


CRÓNICA

CRÓNICA PEQUENINA
Luanda 1992

Marquei dez minutos no meu tempo, para escrever sobre o tema final
Será também o tema finaI do meu primeiro período de trabalho … depois
vou para outros temas, que não são escritos …não ficam escritos
em parte alguma … ponho avental e tenho poucos minutos para fazer o
que falta …. mas os meus dez minutos de hoje, desta manhã de dezembro, são para escrever para uma coisa que só vou ler à noite
Será que o homem das sandálias de couro …chega de madrugada, mancando o
quarto com perfume? A que horas chegará ele?
E fico a pensar como é que umas sandálias de couro podem inspirara tão belo poema? Falo do poema da Paula Tavares
E paro para pensar…  os minutos passam… e eu penso se poderia sem
nunca ter visto o homem das sandálias de couro, fazer-lhe algum "poema…
E penso se existem os homens e as coisas que são faladas nos poemas…
ou se os poetas inventam… Mas sandálias são sandálias e laranjas são
laranjas …são coisas que existem. E poemas não são palavras arrumadas
mas são a expressão de sentimentos de inspiração, de apreensão das coisas
que os outros não sentem…
Desisto! Em dez minutos não-posso escrever sobre poemas e poetas, tanta sensibilidade, porque esqueço e me perco a ver as pessoas e as coisas no sentido prático da vida, e a cozinha está à minha espera e o meu amado que não usa sandálias, divide as horas,  o salário  as arrelias e os prazeres comigo, também. Vou deixar para logo talvez de madrugada eu possa dizer mais coisas sobre uma mulher que escreve sobre pessoas e as coisas para elas ficarem bonitas, destacadas e belas
“o meu amado, chega e enquanto despe as sandálias de couro
marca, de perfume as fronteiras do meu quarto
Solta a mão p’ra criar barcos sem rumo no meu corpo
Planta árvores de seiva folhas. Dorme um pouco sobre
o cansaço embalado pela leveza da esperança.
Divide comigo as laranjas… e os intervalos da vida
Então parte.  Deixa, perdidas as belas sandálias de couro.   

VIVÊNCIAS E REFERÊNCIAS

VIVÊNCIAS  E REFERÊNCIAS

Assistimos no Centro Camões a um revisitar  Eugénio Ferreira. Pessoas que lidaram pessoalmente com essa figura fizeram os seus depoimentos e foi muito bom ouvi-las e sobretudo foi muito bom para mim ter conhecido o Dr. Eugénio ferreira, tê-lo entrevistado no ambiente da sua biblioteca, para um programa que fazia na TPA e ter sido escolhida para, como aluna de direito ( ano zero) ir ao tribunal de trabalho servir de defensora oficiosa.  Estive várias vezes em sua casa, com a família na sala, usufruindo de cortesia, deferência e boa educação. Corri para ele para me ajudar a resolver como aplicar uma ordem superior de despedir um quadro assim, sem processo disciplinar, sem nada. E dele recebi a resposta certa, porque afinal a ordem, que não cumpri,  acabou por ser anulada. Na homenagem do Instituo Camões foram descritas as qualidades do homenageado, primeiro pela directora do Instituto Camões Dr.ª Teresa Mateus  que leu traços da sua biografia e vários depoimentos de pessoas que  conheceram o Dr. Eugénio Ferreira que chegou a  Angola em 1943. e teve um diversificado percurso que foi da luta pela independência de Angola processo de descolonização, e que se  assumiu sempre como “intrinsecamente português” e “orgulhosamente angolano”. O pensamento de “Angolanidade” de EUGÉNIO FERREIRA percorre horizontalmente um  largo espectro. Do Direito à Cultura e à Política, sem esquecer a dimensão Social.  Durante mais de 50 anos foi sujeito activo e militante, sempre inspirado nos  princípios da liberdade,  dignidade humana e na defesa da  cultura integral do Homem. Falaram do seu contacto e reconhecimento por esse convívio várias personalidades ligadas nomeadamente à justiça.  Para este espaço conta sobretudo o exemplo de dignidade que foi transmitido, e que deve ser assimilado pelos homens das leis mais jovens do nosso país. As pessoas precisam de ter referências. Nós não podemos fazer o mesmo percurso que outras pessoas que admiramos. Mas podemos guiar-nos por esses pontos de referência para nos orientar pela vida fora. Neste mar difuso de acontecimentos que vão marcando as sociedades, às vezes fica difícil escolher um modelo, mas que os há, há. É preciso aproveitar.

Língua portuguesa

A língua portuguesa

No meu espaço das quintas-feiras, expresso as minhas emoções, que se voltam para os mais distintos assuntos. A utilização da língua portuguesa é um assunto recorrente, fazendo eco de trabalhos de pesquisadores. Digamos que o uso da língua portuguesa na nossa sociedade "é o problema que estamos com ele" e que tem preocupado várias pessoas. Carlos Almeida é uma delas. Também as professoras Maria Helena Miguel e Maria Antónia Alves , que lançaram  um livro intitulado LINGUA PORTUGUESA - TIRA DÚVIDAS DE A a Z. têm essa preocupação. O objectivo do livro é esclarecer de uma forma rápida, simples e sucinta, as dúvidas que a língua portuguesa vai apresentando no dia a dia. A ideia é solucionar problemas linguísticos de forma simples e clara. Há na verdade muitos problemas no uso da língua portuguesa inclusive por pessoas licenciadas e que são especialistas em determinada matéria, mas que deslustram, por vezes as suas intervenções, por usarem de forma errada algumas expressões. O presente do conjuntivo é uma das grandes dificuldades. Médicos, advogados e outros técnicos dizem que seje, que esteje de uma forma tão convincente que parece não terem dúvidas. Dúvidas todos temos diariamente. É com s ou com z, é com é ou com i. Enfim não é fácil. Portanto os parabéns às duas autoras. Há em todas as sociedades que se preocupam com a utilização da língua. Ao ler o Jornal de Letras ficámos a conhecer um senhor chamado ANTÓNIO HOUAISS que foi um dos maiores estudiosos da língua portuguesa no Brasil e que Jacinto Rego de Almeida que escreve a crónica, diz que tem muitos inimigos em Portugal devido ao acordo ortográfico de que foi o maior impulsionador e artífice no Brasil. Como sabem os ouvintes somos defensores de que a língua portuguesa em Angola deve ser bem falada isso sem deixar de ter a nossa pronúncia e as frases e palavras que vamos introduzindo, cheias de ritmo e conteúdo. As senhoras Maria Helena Miguel e Maria Antónia Alves colocaram à nossa disposição um livro cheio de exemplos, uma ferramenta muito útil para todos. Não devemos ter complexos de tirar dúvidas, para nos expressarmos e escrevermos num português correcto. Repito que isto não tem nada a ver com a pronuncia e o ritmo que  nós angolanos, damos à língua. E já agora vamos deixar também a nossa dica, a propósito de uma imitação daquilo que os nossos irmãos brasileiros dizem:

 

ASSISTIR

Assistir – estar presente, acompanhar, auxiliar, ajudar, socorrer

Tem se verificado a utilização do verbo assistir para todas as circunstâncias onde seria mais conveniente utilizar outro verbo:

Em vez de “assistir televisão” deve-se utilizar  - ver televisão, ver um filme

Assiste-se a um bom espectáculo, a uma cerimónia, a qualquer forma de actividade humana - quer dizer a acção quando decorre nós estamos presentes. Essa actividade gravada, vamos vê-la pela televisão.

"O doente foi assistido pelos bombeiros" "Quem assiste o passageiro, é a aeromoça"

PAPOITES E CATORZINHAS

PAPOITES E CATORZINHAS

Há tempos lemos alguns comentários de José Kaliengue no editorial da revista VIDA sobre os relacionamentos das jovens com homens mais velhos a quem chamam de Papoites.  O autor sempre atento a todos os fenómenos conta-nos  o que acontece e nós fingimos que tomamos conhecimento, já que vamos ouvindo aqui e ali essas conversas, mas não prestamos muita atenção, até que um amigo ou conhecido, nos aparece, com uma amiguinha, novinha, fresquinha, enfim uma novidade. Se for angolano é chamado de papoite  e é  considerado um cheque em branco, para a jovem conseguir, roupas, casa, viagens. 

Há uma outra forma encontrada pelas jovens para garantir uma vida mais confortável. São os estrangeiros, alguns deles com um aspecto quase de avôs delas, mas que as levam aos restaurantes e às festas de abanar o capacete. Alguns destes senhores fazem figuras tristes aos nossos olhos, sobretudo a quem os conheça fora  ou mesmo dentro de Angola já as suas esposas de vez em quando vêm passar férias. Nada contra eles, nem contra elas, apenas é mais um fenómeno, que não dá segurança aos relacionamentos. São uniões que respondem aos interesses de ambas as partes. Uma parte está momentaneamente sozinha e a outra quer usufruir de uma vida melhor, fazer up grade à sua condição. 

É triste que as únicas formas que as raparigas encontrem sejam tão inseguras e tão interesseiras, a maior parte das vezes o amor não entra nestes relacionamentos. Que tipo de raparigas se agarram aos papoites e aos estrangeiros mais velhos, alguns deles bem barrigudos, feios e  sem muita instrução. O que nos interessa são as jovens, que deveriam estar a estudar ou a trabalhar ou a fazer as duas coisas ao mesmo tempo, com sacrifício, mas com muita honestidade e integridade. O que nós pretendemos é ter jovens instruídas. Não conseguimos ter percentagens, mas como por outro lado ouvimos falar de muita degradação, muita promiscuidade, ficamos com uma ideia, possivelmente errada, de que as jovens luandenses, só estão à caça de papoites e de estrangeiros para usufruírem de alguma comodidade. Também neste capítulo são necessárias pesquisas, dados, números. 

Na verdade, o problema que vivemos diz respeito às carências das famílias. Carências financeiras e morais. Estamos todos de acordo com isso, menos os papoites que se aproveitam da situação, namorando meninas da idade das filhas. Nas  relações das nossas jovens com estrangeiros, normalmente casados nos seus países,  há algumas questões a favor, se houver alguma paixão ou amor. A relação entre os homens mais velhos com moças mais jovens tem algumas vantagens escrevem os experts.  Mais segurança, realização profissional dele, ascensão social e até financeira dela. A energia da jovem estimula o parceiro. O parceiro  sente-se mais forte, mais potente, mais necessário, mais útil. Mas há as dificuldades... 

Nessas relações, dificilmente, a mulher consegue compreender os conflitos próprios da idade mais avançada, pois ela não viveu certas situações.... A jovem nunca esteve casada. Não tem como entender como é. E também não diferencia bem os sentimentos do amado.  Outra dificuldade comum é que muitas mulheres jovens acabam por passar por interesseiras.  Nem sempre, o dinheiro é o motivo principal do interesse da jovem mulher, mas contribui. Se a relação se tornar efectiva a diferença de idades que parecia aparente, e que  não  interferiu no início, vinte anos depois, as marcas tornam-se evidentes. A mulher passa a ter mais noção do que é belo, sabe o que a atrai num homem, conhece mais o seu corpo, tem mais experiência sexual e  está mais disponível, mais solta, mais liberta... É o momento em que a mulher, também, está estruturada profissional e socialmente, então, surgem novos problemas. Relações humanas, sempre complicadas sobretudo se acrescermos a isso, uma sociedade desestruturada, onde  o anormal parece ter mais força do que o normal.


DESABAFO

E aqui estamos após dias empolgantes de homenagens. Primeiro a página da Internet e depois o Centro Camões.


Quem é homenageado sente uma série de emoções. Será que merece todos aqueles elogios? Porquê eu e não outra pessoa? Há tantas pessoas trabalhadoras, honestas...
E vamos revendo os defeitos, aqueles que nos foram sendo apontados ao longo da vida. Esses ficam esquecidos. Até quase nos esquecemos que os temos. Nas homenagens, como é óbvio celebram-se as qualidades. Aliás é isso que às vezes nos esquecemos de fazer - elogiar. Um defeito.

Nas homenagens celebram-se as acções que valorizaram os outros. Não falamos deles. Um defeito. Nas homenagens celebram-se as atitudes, o posicionamento. Tantas vezes demoramos a tomar as decisões. Um defeito.
Mas voltemos às emoções do dia 15 de Março.

Foram muitas aquelas que apertam o coração e fazem assomar aos olhos aquelas lágrimas teimosas que não deixamos correr. Como dizem os brasileiros: aguenta coração. Uma das perguntas que as jovens repórteres mais me fizeram, foi como me sentia depois da homenagem. Esta pergunta obriga-nos a fazer um balanço interior, afinal o que foi que eu fiz para merecer esta homenagem e não outra pessoa, que tal como eu procurou cumprir com as suas responsabilidades pessoais?

Mas depois voltamos à realidade que nos diz que são os outros que nos julgam e apontam qualidades de que nós sequer temos conhecimento. A verdade é que me senti vaidosa, orgulhosa. Interessa aqui, apontar o valor destas homenagens prestadas em vida. Depois têm significado para quem fica, o homenageado parte na ignorância do valor que lhe atribuem.
No nosso país tem se procurado, através de diferentes formas, homenagear as virtudes de várias personalidades e a forma como utilizou as suas responsabilidades individuais para com a sociedade.

De acordo com os estudiosos, a raça humana tem necessidade de evidenciar a capacidade de algumas pessoas, de lidar com as necessidades dos grupos a que estão ou estavam ligadas.

Todos temos de agir no nosso dia-a-dia de forma honesta: trabalhar correctamente, cumprir horários, executar eficientemente as nossas funções em tempo e qualidade independentes do nosso salário ou da nossa função. E voltando à homenagem, foi isso que fomos fazendo ao longo da vida e que os amigos não quiseram deixar passar em branco. BEM HAJAM

MALOGRADA NÃO

EU NÃO QUERO SER A MALOGRADA. 
A moda das palavras é muito interessante no nosso país. Alguém com poder de expressão usa um vocábulo e ele passa imediatamente a fazer parte do léxico nacional e é utilizada em qualquer circunstância. De heróis, os angolanos depois de mortos passam a pessoas cujos projectos se malograram. Como se em vida não tivessem conseguido obter qualquer sucesso - malograram. Os seus planos goraram-se, não tiveram êxito. Todos - um conjunto de frustrados. 
De cada vez que ouvimos essa expressão, ficamos revoltados. Como é possível uma professora que toda a gente admira, que formou dezenas e dezenas de cidadãos, ser apelidada de malograda, quando se fala dela? Dir-nos-ão que a palavra também designa quem teve um fim prematuro. O fim de uma pessoa, por mais idosa que ela seja é sempre, para quem a ama, prematuro. Mas no que toca à classificação do que ela foi em vida prematuro em relação a quê? À sua idade, ao projecto que tinha em mãos, ao futuro promissor que todos pensavam ser certo e que se vê frustrado, sim na verdade, nesse caso trata-se de uma pessoa sem sorte, que não atingiu o que pretendia. 
Será que todos os angolanos que morrem eram pessoas que não conseguiram atingir os seus objectivos, ou aqueles que se esperava viessem a alcançar? E o seu curriculum? Tudo o que fizeram não teve êxito, não serviu para nada? Malogrado é um adjectivo que significa - que se gorou, não teve êxito, que teve um fim prematuro. Naturalmente que novo ou velho ninguém desejava aquela morte, mas porque apreciávamos aquela figura não a devemos intitular de malograda. Penso que se procura evitar a palavra falecida, por ser dura, penosa, mas preferível a malograda. Pensamos que não há necessidade de utilizar um adjectivo. 
Mas voltando a uma pessoa muito conhecida e respeitada, porque não dizer no tempo da nossa querida fulana de tal? ou se era professora ou médica, utilizar a denominação da sua profissão? Tudo menos malograda, por favor, eu não quero ser uma malograda. 
Não consegui concretizar todos os meus objectivos. Queria ser "rica", ter posses, ganhar o euromilhões, para poder desenvolver os meus projectos comerciais, que não passam de entidades que lutam pela sobrevivência - queria ser rica ter posses para agregar a família num espaço com todas as condições, queria ter posses para viajar mais, gozar mais a vida, numa perspectiva confortável, mas isso não me torna uma infeliz, com a vida que tenho. 
Tive sucessos e malogros, quem os não teve e tem, mas não sou malograda em tudo o que realizo. Sou positiva, gosto do que faço. MAS MALOGRADA NÃO!


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