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CAMPEONATO FEMININO DE FUTEBOL

Emoções no feminino. Emoções que passaram pelo futebol acompanhando a nossa selecção que jogou pouco. Com aqueles jogadores que actuam em Portugal esperava-se um pouco mais, mas faltou acertar na baliza adversária e ser menos frágeis e medrosos, com as devidas excepções. Mas há muito mais futebol para ver. A COPA AMÉRICA e o Campeonato Mundial de Futebol Feminino. Um campeonato mundial sem o destaque e a pompa do masculino, mas com jogadoras belíssimas, com um comportamento disciplinar exemplar, distinto dos homens que estão sempre a reclamar com o árbitro. Quando é que o mundial feminino vai ter a mesma projecção que o masculino? Para além de jogarem bem, as jogadoras de futebol deixaram de ter aquele ar másculo e passaram a ser simplesmente jovens que gostam e sabem jogar futebol, bonitas ou feias. Se falarmos de beleza bem podemos citar a ausência dela nos jogadores de futebol, com algumas excepções. O Mundial feminino reúne atualmente 24 selecções a cada quatro anos, e surgiu como ideia dos delegados da FIFA durante o Mundial de 1986, no México. Os Mundiais femininos de 1999 e 2003 foram realizados nos Estados Unidos.O sucesso da seleção americana é resultado do desenvolvimento do desporto nas escolas e universidades e o domínio da equipa norte-americana, deve-se à forma sustentável e sólido, geração a geração, com que se organiza este desporto e diz-se, também motivado pela passagem de Pelé pelo futebol norte-americano nos anos 1970. O futebol feminino vive um momento de especial crescimento no interesse do público e das marcas, lê-se no Blog DIBRADORAS. Nas vésperas do Campeonato do Mundo de Futebol Feminino em França, que termina no dia 7 as marcas, Nike e Adidas aderiram e no que toca a transmissões televisivas,  pela primeira vez a Globo apresentou as partidas em sinal aberto. Na visão da jornalista Renata Mendonça, uma das fundadoras do blog Dibradoras, que traz uma perspectiva feminina do universo das chuteiras, o cenário favorável às mulheres no futebol é resultado de um movimento que partiu não apenas do bom desempenho das jogadoras, mas também do interesse da audiência feminina que foi abraçado pelas marcas. O futebol de senhoras ainda não gera o mesmo interesse que o dos cavalheiros a nível de espetadores ou patrocinadores. E as jogadoras sabem isso: sentem-no na pele a cada jogo... e na conta bancária a cada mês. Mas essa é uma realidade que talvez não venha a verificar-se durante muito mais tempo - pelo menos, não com as discrepâncias que ainda se sentem atualmente. A discussão é antiga e as reivindicações também. Mas nunca se fizeram sentir com tanta intensidade como agora. Começou logo com a ausência (mais do que anunciada) de Ada Hegerberg, a primeira Bola de Ouro feminina da história e que desde 2017 recusa actuar pela seleção da Noruega, em protesto contra o que considera serem as desigualdades de tratamento da federação do país nórdico para com as jogadoras da seleção feminina em relação aos atletas masculinos. E não apenas nos prémios, mas também nas condições de treino e no reconhecimento para as ligas masculina e feminina. Antes do início da prova tornou-se viral um vídeo da seleção feminina alemã com uma mensagem contundente. “Jogamos por um país que não sabe sequer o nosso nome”, referem as jogadoras, fazendo questão de lembrar que já foram campeãs da Europa por oito vezes, tendo recebido como prémio na primeira vitória... um serviço de chá. “Nunca lutámos só contra as adversárias, mas também contra o preconceito. Não temos bolas, mas sabemos usá-las”, disparam, terminando de forma ainda mais directa: “Não se preocupem, não têm de saber quem nós somos. Só têm de saber o que queremos: jogar o nosso jogo”. Havia, obviamente, uma razão para tal. Marta uma das melhores jogadoras do mundo, declinou os patrocínios de todas as grandes marcas desportivas por uma razão muito “simples”: nenhuma lhe pagava o mesmo que paga a um futebolista masculino de topo. Nas botas, apenas um pequeno símbolo azul e rosa, referente a uma campanha pela igualdade de género, a “Go Equal”, que rapidamente se difundiu nas redes sociais. Esta campanha surgiu quase em simultâneo com um artigo da revista France Football onde era revelado que Neymar, estrela da seleção masculina do Brasil e a mais cara transferência do futebol mundial (222 milhões de euros ao trocar o Barcelona pelo PSG, em 2017) mas que nunca foi eleito melhor do mundo -, ganha 269 vezes mais do que Marta: qualquer coisa como 90,4 milhões de euros anuais... contra 34 mil. Ada Hegerberg, que actua nos franceses do Lyon - e que desde maio dá a cara pela campanha “#TimeForChange”, da UEFA (um plano de cinco anos, entre 2019 e 2024, em que promete apoiar, guiar e elevar o futebol feminino e a posição das jogadoras na Europa), ganhará cerca de 40 mil euros por época. As nossas emoções hoje voltaram-se para a descriminação que existe a nível mundial, em relação futebol feminino. Andámos à procura de opiniões sobre o assunto e encontrámos um blog, do qual retirámos algumas ideias. (Dibradoras de  Roberta Nina e Renata Mendonça)

Luisa Fançony
Directora Geral
luisa.fancony@lacluanda.co.ao
Tlm: +244 912 510 946



Programa EMOÇÕES NO FEMININO do dia 13 de Junho de 2019

Ouvintes muito boa tarde
Viajar é preciso. É um slogan antigo sempre renovado para quem tem possibilidades de o cumprir. Cada viagem trás coisas novas mesmo que seja para o mesmo local. Mesmo que a distância seja curta. Muitos angolanos conhecem Cuba. Estudaram em Cuba. Foram para lá meninos e vieram homens. Muitos angolanos conhecem os cubanos. Foram seus professores, médicos ou em alguma situação lidaram com alguém de Cuba. Alguns angolanos dizem que devemos muito a Cuba e outros dizem que os cubanos nos devem algumas coisas que levaram pela porta do cavalo; Muitos cubanos estiveram em Angola; muitos perderam a vida em Angola. Em Cuba agora os mais velhos conhecem Angola de Agostinho Neto e não movem qualquer outro sentimento pelos angolanos senão essa lembrança longínqua de uma angola e de um nome Agostinho Neto. Para os mais jovens foi por causa de Angola que morreram os cubanos. Mas cuba estrangulada com bloqueios e com uma centralização ainda acentuada sabe receber. E recebe milhares de turistas. Para os angolanos já livres do mesmo regime até pode ser um exemplo no que toca ao turismo de que tanto se fala. Há uma corrida às suas praias e lugares antes que tudo mude e já não haja um carro dos anos cinquenta a circular pelas suas ruas. Lugar da rumba e da Bodeguita del Medio, com musica por todos os lados, Cuba é um lugar a visitar. Diz um agente turístico - Cuba é um país que atrai muitos turistas por dois motivos: primeiro porque é uma ilha situada no mar do Caribe, portanto possui praias paradisíacas. Segundo, pela sensação de estar em um país que parou no tempo. Cuba é uma país de contrastes:  ao mesmo tempo vê-se muita cultura, muita história, muita beleza e um povo muito amistoso e caloroso; mas lida-se também com as dificuldades de um país que não acompanhou as evoluções do mundo moderno. O importante é que: quem faz turismo em Cuba se apaixona pelo lugar, pela sua gente e sai de lá sempre a recomendar a visita ao país. . Por um lado é impressionante a sensação de se estar de volta aos anos 50, com os carros antigos e os prédios exatamente como eram nos tempos da Revolução, que aconteceu em 1959. Muitos prédios, especialmente os hotéis e museus foram restaurados pelo governo e têm melhores condições, valorizando a arquitetura do lugar. Por outro, é uma cidade degradada, com muitos prédios abandonados e outros que parecem que vão ruir a qualquer momento. A música está presente em todas as visitas.
Disco
Hoje dedicamos o nosso programa a uma viagem a Cuba que visitámos há dias integrados numa grande comitiva de salseiros. Como os ouvintes sabem há por todo o mundo escolas de dança que privilegiam a salsa e que hoje em dia incluem a kizomba. De Angola foram mais de vinte pessoas, na sua maioria jovens integrantes da escola Pé de Salsa, da conhecida professora Natchova Hendrick. De Portugal cerca de 100 salseiros a que se juntaram duas ou três pessoas de outras nacionalidades. Do programa constavam naturalmente muitos momentos de dança, e para além deles todos os outros foram aproveitados para em grupo dar azo ao prazer de mover o corpo. Os salseiros são gente animada, barulhenta e bem-educada. Todas as possíveis falhas encontradas, foram amplamente esbatidas por uma organização impecável, que tinha no programa um dress code diário, do vermelho ao branco, e a eleição de uma corte constituída por um rei e uma rainha, eleitos por voto secreto, pelos participantes. Se o Hotel estava superlotado e os melhores quitutes implicavam uma fila em frente à grelha, se a qualidade da roupa de quarto deixava a desejar, os desenhos que as camareiras nos deixavam em cima da cama faziam-nos sorrir e tirar mais uma foto. Nem tudo foi perfeito, mas a estadia no Grand Memories com a sua linda praia de areia branca e água azul, ficarão para sempre na nossa memória. A boa disposição alimentada a pinha colada e cuba libre, nunca excedeu os limites de uma boa compostura. As escolas de dança movimentam o mundo com os seus adeptos – congressos, viagens turísticas, workshops ocorrem anualmente de Cape Town a Nova York. Luanda já realizou vários eventos do género e prepara-se para em fins de Outubro e início de Novembro fazer um Festival Internacional, com uma Mussulada Africana no meio. Angola vai entrando na rota do turismo da dança.
Disco
Hoje estamos sob o signo da dança e das viagens em torno dela. Nem tudo foram rosas, como é natural. E mesmo sempre em atitude defensiva contra opiniões desfavoráveis relativamente a Cuba, não pudemos deixar de ficar com uma opinião desfavorável ao ver um fio esverdeado a correr pelas ruas de Havana e de Matanzas, sinal de que os esgotos não funcionam. Também não gostámos da visita ao Callejon de Hamel, um local que acolhe uma escola de arte para crianças e que consta dos itinerários de todos os turistas que visitam Havana. Uma pequena rua, ornamentada com banheiras com plantas e outros efeitos artísticos, com pequenos bares e um pretenso estúdio fotográfico, mas com um ar demasiado sem graça, cheio de pedintes de todas as idades a abordar ostensivamente os turistas. Deveria haver um local para doações no nosso entender e não deixar que num espaço tão pequeno e tão sem graça, se estendessem tantas maõs em busca de um cuc – o peso dos turistas. Deixámos o local e fomos dar um passeio por Havana num triciclo puxado pelo Franco, um simpático cidadão que orgulhoso nos mostrou o restaurante onde Barak Obama foi comer, um atelier de arte moderna, um restaurante num segundo andar que disse ser muito bom, enquanto ligava a música num pequeno receptor – tenho Bluetooth disse todo sorridente. O passeio fez-se pelo Barrio Chino e por umas ruas com casas de aspecto degradado com pessoas à soleira das portas, tal como vemos nos postais daquele país do Caribe. A pé percorrermos o Malecon até perto do Morro, que tem um túnel de entrada na cidade e fomos almoçar à Bodeguita del Médio onde nos esperavam outros membros da nossa delegação. Foi uma festa dentro e fora do pequeno e mundialmente conhecido restaurante. Em Varadero e a partir da sua marina houve quem partisse num moderno catamaran para brincar com golfinhos num local no meio do oceano. A discoteca e a Calle 62, foram locais frequentados pelos alegres e simpáticos integrantes da delegação portuguesa, que como dissemos incluía vinte e tal angolanos. Uma referência ao projecto Munhequitas de Matanzas, com um workshop no hotel e uma visita à sua sede, onde em plena rua se exibiram os seus integrantes e os excursionistas dançaram e comeram uma deliciosa refeição de porco assado. As nossas emoções voltaram-se hoje para essa visita a Cuba que não incluiu os diferentes locais históricos e turísticos que aquele país oferece.
Disco
E vamos terminar. Hoje estivemos em Cuba, onde as nossas emoções estiveram à prova. Um país que tem muito significado para Angola e que para os cubanos tem um misto de indiferença e até de mágoa para a gente jovem. Para nós mais velhos, sempre na defensiva contra os comentários não abonatórios aqui e a ali, que culminaram com a chegada a Lisboa, e o desabafo de uma jovem – chegámos à civilização. Quando nos preparamos para incentivar viagens turísticas ligadas à dança, sabemos que não escaparemos a umas dicas do género perante as nossas insuficiências. Mas vai valer a pena. Boa tarde.


Luisa Fançony
Directora Geral
luisa.fancony@lacluanda.co.ao
Tlm: +244 912 510 946



EMOÇÕES NO FEMININO


RESPEITO MÚTUO
Depois dos feriados voltámos à nossa vidinha de todos os dias e aos desacatos que opõem as zungueiras à policia, ou vice-versa. Episódios que nunca deveriam existir, pela dignidade das duas partes. Precisamos que as mulheres que vendem na rua, sejam respeitadas e precisamos que as mulheres que vendem na rua respeitem a polícia. Precisamos que ambas, se deem ao respeito. E isto remete-nos aos temas que temos abordado sobre educação. É que sendo educados, sabemos respeitar e dar-nos ao respeito. Sendo amáveis, corteses, não saindo da linha que separa as nossas funções, que separa os espaços onde nos podemos mover. Existe uma prioridade indiscutível: a necessidade de respeitarmos o nosso próximo. A propósito dos constantes desencontros entre a policia e as vendedoras ambulantes fomos buscar o tema do respeito ao próximo. O respeito mais do que qualquer outro factor, ajuda muito a estabelecer relações harmoniosas. O respeito mútuo começa com o respeito próprio. Respeito é o valor que nos move a tratar o outro com atenção, consideração e importância. Respeito gera respeito. Portanto, quando agimos dessa forma levamos o outro a fazer o mesmo e é assim que construímos o respeito mútuo.  Quem não se respeita, não inspira o respeito do outro. Respeito é fundamental em todas as nossas relações e em todos os momentos.  Depois de uma semana de afectos (esteve entre nós o Presidente de Portugal) e de homenagens às mulheres, vemos que uma é assassinada. Não é virgem o confronto entre a polícia e as vendedoras de rua. Por isso deve haver uma atenção especial por parte do Ministério do Interior em relação a esta questão. Os agentes devem passar por formações especificas de maneira a respeitarem as mulheres que encontram na rua. Elas podem estar a prevaricar, sabemos que sim. Sabemos que também se armaram de uma áurea que as leva a reivindicar de forma bastante agressiva aquilo que pensam ser os seus direitos. Nem sempre têm razão. Mas nada pode levar as autoridades a trata-las com faltas de respeito. O melhor será pormo-nos do seu lado e convencê-las de que esse não é o caminho. Queixam-se sempre de que os agentes ficam com as suas mercadorias. Deveria ser instituído que é terminantemente proibido mexer nos seus produtos, seja em que condições for, mesmo quando sejam levadas para depor … e usar arma de fogo, contra uma vendedora, não se deve admitir em circunstância alguma. É preciso respeitar a autoridade e respeita-se quando a autoridade se dá ao respeito. A autoridade não precisa de andar aos beijos, nem abraços, deve ser firme, sem faltas de respeito. Ser firme no cumprimento da lei e se a lei diz para ficar com a mercadoria, deve ser mudada. O Comandante geral da polícia disse que o agente nunca deveria ter usado a arma de fogo e isso todos nós sabemos até porque ouvimos já o Ministro do Interior dizendo que a polícia deveria andar munida de outras armas que não as de fogo, para evitar estas situações. No mês da mulher é inadmissível que uma vendedora morra desta forma. Pelo menos o espírito do Março mulher poderia ter iluminado esse agente.  Toda a sociedade condena como é óbvio o acto extremo do agente da polícia e nós também. Mas nós queremos que a polícia seja respeitada. Nós precisamos de uma polícia respeitada. Nós precisamos de mulheres cumpridoras da lei. Temos que acabar com esta disputa. As vendedoras insistem em vender nos locais proibidos e contam com um largo apoio da sociedade nesse finca pé e a polícia, que não consegue exercer a sua autoridade usa uma força desproporcional. Há que colocar um ponto final nessa disputa. Haja respeito mútuo. É proibido cumpra-se. É para manter a ordem haja firmeza, sem uso a armas de fogo.

Luisa Fançony
Directora Geral
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EMOÇÕES NO FEMININO


“E para aqui estamos Mussunda amigo”. Com muitas notícias quentes, que fazem a delícia de quem gosta de notícias quentes…e para gáudio de quem gosta de ver o circo pegar fogo. Mas na verdade estamos todos muito tristes. Tristes por não termos tido pessoas honestas e trabalhadoras à frente de sectores importantes. Tristes por sabermos que várias pessoas se resguardaram debaixo de uma sombrinha que pensavam segura. Tristes e envergonhados, porque ao fazer-se justiça se destapam muitas coisas mal feitas. Quando se anunciou que se iria corrigir o que está mal, sabendo-se que muita coisa estava mal, não pensávamos nas pessoas responsáveis por essas coisas mal feitas. O Jornal de Angola ao assinalar um ano de governação, reproduziu as palavras do Presidente do Tribunal Constitucional, Rui Ferreira que disse no dia da posse do novo presidente angolano “os limites únicos do poder que lhe foram conferidos pelo povo são os que constam da Constituição, da Lei e do dever de servir a nação. Não há outro, Senhor presidente. A partir de hoje abre-se aos seus pés e para os próximos cinco anos, uma via expressa para fazer o que prometeu aos angolanos. Corrija o que está mal, melhore o que está bem, combata a corrupção, fortaleça o estado democrático e de direito, diversifique a economia e melhores a qualidade de vida dos angolanos”. Enfim a vida contínua e a par desse sentimento de tristeza e de algum temor de que a justiça não siga todos os procedimentos, temos a esperança de um país melhor, mais transparente, mais amigo do seu povo. Emoções no feminino. Muitas emoções como vimos fazendo referência ao primeiro ano de governação do presidente João Lourenço e infelizmente nesse tempo não foi possível aprovar o novo código penal. Quando ouvimos o Ministro da justiça falar sobre a última proposta sobre o fracturante assunto do aborto, pensávamos que estava tudo resolvido, pois ele falava nas restrições e embora não concordássemos, do mal o menos. Não concordamos de todo, que a interrupção da gravidez seja um crime punido com até 10 anos de prisão. De acordo com a última proposta a interrupção da gravidez seria admissível apenas em situação de malformação do feto, violação sexual, casos de incesto e sempre que a vida da mãe esteja em perigo. Mas foi achado aconselhável e prudente voltar às comissões da especialidade. Os partidos da oposição não estão todos de acordo. Fala-se em deitar fora filhos a partir do ventre materno. Na verdade, há muita hipocrisia no tratamento desta matéria. Todos conhecem a opinião da Igreja Católica. Muito bem. Dos partidos políticos com pessoas que pensam pelas suas próprias cabeças, não se aceita que façam determinados comentários em pleno século XXI.  Sabe-se por outras vias que muitos dos responsáveis a diferentes níveis, conseguem que as suas aventuras fortuitas ou permanentes, se desenvencilhem de gravidezes importunas. As nossas ruas mostram a vida infeliz que têm as crianças trazidas ao mundo fruto de relações pontuais. Sabe-se que as mulheres desesperadas com uma gravidez indesejada, procuram desenvencilhar-se entregando-se em mãos pouco escrupulosas que muitas vezes as levam à morte. Sabe-se do martírio que é para os pais uma criança que nasça com malformações incuráveis. Pode-se imaginar como se sente alguém fruto de um relacionamento incestuoso, se conseguir ser equilibrado psicologicamente. Porquê tapar o sol com a peneira. Trata-se de cinismo criminoso. E este reparo não é só para os homens, mas sobretudo para as mulheres, que engrossam o número de pessoas que querem que o aborto seja penalizado. Toda a gente sabe que o facto de haver uma lei que permita o aborto, não obriga ninguém a abortar. Quem não concorda, não aborta e cria os filhos que as circunstâncias legais protegem, por seu único risco.

Luisa Fançony




CRÓNICA DE VIAGEM (para um programa de rádio EMOÇÕES NO FEMININO)


As nossas emoções hoje voltam-se para o prazer de viajar. Viajar é preciso. Este é o lema que temos adoptado nestes últimos tempos, e que aplicamos sempre que haja possibilidades de o fazer. A eliminação dos cartões de débito e a limitação dos cartões de crédito e transferências acabam por coartar esse prazer que elegemos para esta fase da nossa vida. Os cidadãos de todo o mundo deslocam-se muitas vezes em grupo. Pertencem a organizações que escolhem uma cidade para uma celebração e lá vão eles dar um passeio. Há a Academia do Bacalhau, há os congressos de salsa, as celebrações religiosas e no nosso caso o intercâmbio desportivo de veteranos, entre os clubes de ténis. Os veteranos levam a família se assim entenderem, já que as despesas correm por conta de cada um. Foi assim que fomos ao Ruanda. É verdade. Naquele país sofrido joga-se ténis. O embaixador do Ruanda no nosso país é sócio do clube de ténis e organizou a ida dos tenistas angolanos ao seu país. Foi-nos recomendado fazer a inscrição no site dedicado aos assuntos migratórios e o visto seria dado no aeroporto no valor de trinta dólares. Em trânsito passámos por Joanesburgo, onde os passaportes dos não angolanos, foram passados a pente fino, com alguns problemas, já que ao adoptarmos o digital, às vezes ficamos pendurados. A estadia na cidade de Kigali foi muito bem organizada e incluiu visita ao Memorial do Genocídio. Este um lugar em que o visitante experimenta sentimentos desencontrados, onde prevalece a tristeza por conhecer mais de perto os detalhes de uma das maiores tragédias do mundo contemporâneo. A delegação angolana fez também uma visita ao edificio do RDB – Rwanda Devepment Board, uma agência governamental que mostra que o país está aberto ao investimento. Recebidos pelas chefias, fomos informados das condições de investimento privado no país e da celeridade dos processos que decorrem num mesmo edificio e onde provámos o café ruandês. Depois o repasto num dos hoteis mais modernos da capital. A cultura fez parte do itinerário e fomos levados a ver o grupo INTAYOBERANA, com cuja directora tivemos o prazer de conversar. Beruna Carine, diz eu começou a dançar pequena, participou em vários festivais e já visitou vários países como Espanha, França, Inglaterra, China etc. A dança tem como base a vida das populaçoes, imitando os passos da gazela, participando na colheita dos grãos e as práticas guerreiras. Música e dança são partes integrantes de cerimônias, festivais, eventos sociais e das histórias contadas no Ruanda. De Kigali partimos para as margens do Lago Kivu, o sexto maior do continente, para um Hotel localizado na cidade turística de Gisenyi.  Aí a oportunidade de admirar um mar de água de grande beleza, cujo contorno a vista não alcança. No regresso tivemos a confirmação das medidas de segurança experimentadas em todos os locais que visitámos, com aparelhos de raios X – a entrada de viaturas no parque do aeroporto obriga a que os passageiros desçam do transporte com as suas bagagens, para os cães farejarem, já no edifício as bagagens e seus portadores passam por mais dois controlos. Emoções no feminino hoje, pelo prazer de viajar. .Hoje as nossas emoções voltaram-se para o prazer de viajar. Os angolanos sempre gostaram de viajar. Já o fizeram vendendo umas grades de cerveja e depois pagando no país na sua moeda, percursos, hoteis e alimentação. Tudo isso faz parte do passado, apesar de haver sempre quem usufrua de algumas divisas para o fazer à vontade. Os angolanos encontram sempre uma forma de contornar as dificuldades. As autoridades que superintem o turismo dizem que devemos começar pelo turismo interno. Viajar pelo país é caro. Há quem faça um esforço e consiga levar angolanos e estrangeiros a viajar pelo país. Também é preciso conhecer o país que tem óptimos lugares, mas que não está organizado para fazer as pessoas usufruir deles, com qualidade e a um preço razoável. O Ruanda que visitámos há pouco tempo, sofreu um grande abalo humanitário, mas reerguido consegue receber turistas a quem a partir deste mês já não exige um visto de entrada antecipado. Nesta quadra festiva, muitas pessoas viajam. Vão para fora do país ou para outra provincia. Desejamos a todos que o façam com prazer e para o enriquecimento da alma, do pensamento e do corpo.









EMOÇÕES NO FEMININO

Emoções no feminino hoje olhando um pouco para o passado de quantas menopausas já vividas. As nossas e as das outras que se seguiram. A vida é mesmo assim. A determinada altura o corpo da mulher deixa de produzir estrogénio e progesterona e fica então descompensado. A sua vida fica por completo alterada. E ela fica sozinha, não consegue construir uma vida familiar sólida, não faz exercícios físicos nem mentais, deixando-se envolver por um clima de inveja em relação a outras mulheres mais resolvidas. Não respiram profundamente antes de decidirem intervir na esfera pública. Quem sabe a necessitar de um antidepressivo? Pela madrugada a mente a fervilhar de raiva, porque não destilar veneno pelo ciberespaço? Será? Não tem com quem discutir os seus pontos de vista tão firmes que na urgência da hora tem que partilhar. É só um click e já está. Um comentário de quem não gosta de julgar de quem não tem nada contra, mas que numa menopausa mal vivida resolveu beliscar.  À distância do tempo dos cabazes. Há distância de um tempo que ficou marcado por gerações de profissionais e de um percurso bem-sucedido. Sem alardes, sem adjectivos, apenas vivido honestamente, com todos os erros que a prática produz. Boa tarde cara ouvinte, se vive o período da menopausa, acalme-se. Esses fogachos e ondas de calor, vão passar. Não se precipite para as redes sociais, não revolva um passado que não é seu e que você não conhece, misturando nomes e fantasias, factos e suposições. O programa EMOÇÕES NO FEMININO deteve-se no tema - a menopausa. Quem diria que um período tão critico da vida de uma mulher desse um tema para conversa? Longe das questões médicas, longe dos calores e dos incómodos. Mas apenas como análise do comportamento pela vida fora, que o estatuto secundário das mulheres acabou por lhes trazer muitas dúvidas sobre elas próprias. Há muitas teorias sobre o relacionamento entre as mulheres. Diz-se que por norma as mulheres tratam de forma diferente as mulheres, por exemplo quando as atendem, com uma espécie de inveja. Numa repartição não se espera um tratamento harmonioso quando se trata de uma mulher a atender outra mulher. Diz que as mulheres sabotam as mulheres.  Numa luta por norma as mulheres nunca esperam que outras mulheres as ajudem; esperam que elas lhes roubem o momento, o homem, subvertam o elogio ou pura e simplesmente, destruam qualquer coisa de valioso. É um pouco neste sentido a figura da menopausa um período complicado para a vida da mulher e que pode envenenar um futuro de solidão, onde o êxito de outras mulheres a irrita. Mas nem tudo funciona assim, felizmente. Alguns autores dizem que as mulheres são socializadas para a solidariedade. Da mesma forma como são educadas para o diálogo e a mediação conflituosa. Desde as brincadeiras infantis, a sociedade as educa para a paz e para o amparo. Será?
Hoje estamos a falar das mulheres, de nós, que passamos ou havemos de passar pela menopausa, uma questão física que pode afectar psicologicamente a mulher. Normalmente fala-se da mulher em oposição ao homem, tudo no sentido da sua emancipação. Hoje estamos a falar dela como um ser humano que pode acarretar uma série de complexos, enquanto individuo e não como um todo. Um ser que pode destilar veneno no seu dia a dia, como um modo de actuar sempre em guarda contra qualquer ataque. O ataque é a melhor defesa, dizem alguns. Mas Harriet Rubin diz que não – nunca exerças a vingança – isso só fortalece o inimigo. Sê aberta e verdadeira. Sê determinada em não violar a essência da outra pessoa. Respeita a verdade das outras pessoas. A prontidão para ser ferida em acção, quando se tem um objectivo e se está a caminhar demonstra força. Diz ela, nunca exerças vingança ou castigo, ou faças o teu oponente acreditar que vai sobrar para ele, pois ele pode implicar-te numa mistura de orgulho e culpa que mina a tua posição, psicológica e eticamente. Então é assim que devemos fazer, não nos parece mal este conselho que nos manda construir silenciosamente uma vida rica, cheia de entusiasmo em torno dos nossos objectivos.





EMOÇÕES NO FEMININO

No programa EMOÇÕES NO FEMININO de quinta-feira, falei do tempo e não só. Como o tempo passa é uma expressão que se ouve diariamente. Antes parece que o “mundo vivia a passo, sem pressa”, como escreveu Luis fernando na introdução da entrevista à Luena. A Luena Amaro que em criança andou pelos palcos da RNA cantando, nos espectáculos Piô,   e que agora foi entrevistada, porque ficou em segundo lugar num concurso internacional de pesca.  “As décadas voaram, como não sucedia na primeira metade do seculo XX e o  progresso civilizacional parecia pedir licença para marinar, o mundo vivia a passo, sem pressa”, escreveu Luis Fernando. A Luena deu uma grande entrevista ao Jornal o País. Também nós reagimos à chamada de atenção de que uma vice-campeã angolana, é notícia. Rui Sancho que percebe dessas coisas diz que é do mar que vão chegar as medalhas de ouro e os campeões mundiais, mesmo que ninguém lhes preste grande atenção, o que não é o caso da Luena claro está. Dois marlins azuis e dois veleiros perfazendo um total de 1400 pontos – é obra e confirma que as mulheres não se medem aos palmos. Parabéns públicos porque pelo canal que divulgou o feito já tinhas sido felicitada, por mim em privado.  Mas começámos a falar do tempo que corre veloz nestes dias que passam. Voltando àqueles em que o mundo vivia sem pressa vamos lembrar os sonhos que todos tínhamos e que costumam ser resumidos, na frase não foi isso que nós combinámos”. Júlio de Almeida, a voz do ponto da situação politico militar na RNA, deu muitas entrevistas a propósito do lançamento em Portugal do seu livro VAICONDEUS SARL.  E na entrevista ao Expansão, falou da sociedade que se queria construir após a independência, com uma economia centralizada e onde quando se era nomeado para qualquer cargo se lia na última linha – e em especial as camadas mais desfavorecidas. Quase todos levavam a sério e isso significava que se pretendia construir uma sociedade em que as diferenças de classe não fossem abismais, mas ir trabalhando no sentido de fazer uma distribuição de rendimento nacional o mais equitativa possível. Mas nos últimos 25 anos trabalhou-se arduamente no sentido contrário, portanto a diferença de modelos entre o que se sonhava e o que foi feito, não significa uma diferença entre o sonho e a realidade, mas entre personalidades, que até podem ser as mesmas, biologicamente falando, mas completamente diferentes socialmente falando. E eu concluo, foi a falar nas camadas mais desfavorecidas que educámos os nossos filhos. Foi assim que a Luena e o Ondjaki cresceram. Com essa ideia do colectivo que se perdeu com os estados falhados do leste europeu. E o que combinámos com eles continua válido nas nossas famílias, onde o trabalho dignifica o homem e onde muitas vezes o presente lhes prega armadilhas, impedindo a realização de um projecto. Mas, nada que quebre as alegrias de uma vitória, de um ganho ou de um sucesso.


Luisa Fançony
luisa.fancony@lacluanda.co.ao
Tlm: +244 912 510 946




EMOÇÕES NO FEMININO

EMOÇÕES NO FEMININO e a  Marcha da Mulheres pela Despenalização do Aborto”, agendada para o próximo sábado, dia 18 de Março, entre as 10:00 e as 14:00 horas.  A concentração da marcha será no Cemitério de Santa Ana.
Neste mês de Março estamos a falar da luta das mulheres através da moda. Antes de entrarmos no assunto uma palavra de apreço às mulheres que não estão de acordo com o preceituado no novo código Penal no toca ao aborto. Na verdade, há muitos anos que as mulheres angolanas com uma visão mais aberta se batem pela despenalização do aborto. Mas por ser uma questão, como se diz fraturante, as suas propostas não passaram quando havia ainda ao calor das mudanças. Sabemos que muitas mulheres não apoiam a ideia de não penalizar o aborto. Há países que tinham uma leia aberta e que agora fruto de pressões de direita estreitam os motivos que podem levar a um aborto. Estudos de revistas especializadas contrariam o argumento de que leis severas contra o aborto reduzem a disseminação da prática. Analisando dados de 1995 a 2008, o levantamento do instituto americano Guttmacher mostra que as mais altas taxas de abortos estão justamente em regiões com legislação restritiva. Na América Latina, que tem relativamente o mais alto número de abortos em todo o mundo, a maioria dos países proíbe a prática, apontou u estudo. Em 2008, uma média de 32 entre mil mulheres (entre 15 e 44 anos) fizeram aborto na região. No mesmo ano, a taxa da África foi de 29 mulheres.  Em contrapartida, na Europa Ocidental – onde a legislação é mais permissiva -, esse número caiu para 12. Apesar de mostrar que a quantidade de abortos, após um período de queda, se estabilizou, o estudo destaca que a prática realizada de maneira insegura vem crescendo. O número de gestações interrompidas com práticas que apresentam riscos às mulheres cresceu entre os dois períodos analisados, de 44% em 1995 para 49% em 2008. EM África, a taxa chega a 97% do total de abortos mal sucedidos. O continente é seguido pela América Latina (95%), Ásia (40%), Oceania (15%), Europa (9%) e América do Norte (menos que 0,5%)."A base da legislação que permite abortos deve ser ampliada, para reduzir a necessidade das mulheres de recorrer a abortos clandestinos", diz o relatório do Instituto Guttmacher, que é parceiro Organização Mundial da Saúde. Uma reivindicaçao do movimento feminista foi e é pelo fim da punição  a quem pratica o aborto. Ninguém é a favor do aborto, mas ninguém consegue parar com os abortos clandestinos que ocorrem em toda a pa rte. É daquelas questões que nenhum estado consegue controlar e que só sabe se correr mal e muitas vezes já é tarde para salvar a vida da mulher. No sábado há uma marcha que sai do Cemitério de Santana para o Largo das Heroínas. O grupo de cidadãs considera que a aprovação de tal disposição representa “um retrocesso na luta pelo reconhecimento dos direitos humanos das mulheres e uma violação grosseira das garantias e postulados constantes do protocolo de Género e Desenvolvimento da SADC relativamente aos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, do qual Angola é signatária e Estado Parte” explicam as organizadoras no documento.




EMOÇÕES NO FEMININO

“Nunca tivemos uma geração tão triste”.

Alguém partilhou um tema dom este título e aguçou a minha curiosidade. Fui logo saber do que tratava. Eram considerações do  psiquiatra Augusto Cury sobre a forma ocmo os nossos filhos estão a ser preparados. Diz ele que  é urgente ficar mais offline e ensinar os filhos a contemplar o belo. Este famoso psiquiatra brasileiro tem livros publicados em mais de 70 países e dá palestras para multidões no Brasil e  fora dele, lançou recentemente uma versão para crianças e adolescentes do seu best-seller Ansiedade - Como Enfrentar o Mal do Século. O autor  fala sobre os desafios de se criar os filhos hoje e não poupou críticas à maneira como a família e a escola têm educado os pequenos. Ele diz que assistimos  ao assassinato coletivo da infância das crianças e da juventude dos adolescentes no mundo todo. Nós alteramos o ritmo de construção dos pensamentos por meio do excesso de estímulos, seja com presentes a todo o momento, seja com o acesso ilimitado a smartphones, redes sociais, jogos de videogame ou excesso de TV. Com todas essas mordomias, os nosso sfilhos estão  a perder as habilidades sócio-emocionais mais importantes: não sabem colocar-see no lugar do outro, não pensam antes de agir, não conseguem  expor   e não impor as suas ideias, não aprendem  a arte de agradecer, etc.  É preciso ensiná-los a proteger a emoção para que fiquem livres de transtornos psíquicos. De acordo com o especialista as novas gerações devem aprender a lidar com os seus pensamentos  para prevenir a ansiedade. Ter consciência crítica e desenvolver a concentração. “Aprender a não agir pela reação, no esquema 'bateu, levou', e a desenvolver altruísmo e generosidade.”
“Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar às nossas crianças a fazerem pausas e a contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: Viciamos os  nossos filhos e alunos a receberem muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O psiquiatra suplica aos pais que proporcionem aos adolescentes mais estímulos para eles se aventurarem, a ter contato com a natureza,  encantarem-se  com a astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais. O Dr Cury diz que os pais procuram, preencher integralmente o tempo das crianças e só lhes dão produtos, transformando-os em consumidores, não cuidando das suas emoções.  Esta abordagem é o muito importante, para todas familias, sobretudo para aquelas que têm possiblidades financeiras e atolam os seus filhos de tecnologia: ipad, smarthfone etc. e nunca lhes dedicam o seu tempo. Diz ele que é preciso  que os pais cruzem o seu mundo com o dos seus filhos. Aqueles pais que se limitam a seguir manuais de regras  estão aptos a lidar com máquinas. É preciso criar uma intimidade real com os pequenos, uma empatia verdadeira.  Quinze minutos na semana podem valer por um ano. Pais têm que ser mestres da vida dos filhos.

Mais  brincadeira, menos informação
“Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam em frente às telas. Sugiro duas horas por dia. Se você não colocar limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de refletir, se interiorizar, brincar e contemplar o belo.”



Luísa Fançony | Directora Geral
luisa.fancony@lacluanda.co.ao
Tlm: +244 912 510 946

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Praceta Luther King, Nº5
Luanda - ANGOLA
Telef.:
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EMOÇÕES NO FEMININO

EDUCAÇÃO VERSUS PROGRESSO

Setembro é um mês muito agitado na nossa capital. Uma capital cheia de problemas, como sabemos. Muitos dos problemas resultam da nossa falta de preparação. Na verdade, a educação dos cidadãos é muito importante para o desenvolvimento de qualquer país. Pessoas impreparadas obstaculizam o desenvolvimento sem terem noção disso. Reagem emotivamente, pensam que estão a fazer o melhor pelas suas vidas, enquanto se atolam em doenças e complicações e aumentam as suas dificuldades de acesso aos bens e serviços. Como perceber que as pessoas de parcos recursos sejam roubadas por jovens que pululam pelos bairros?  Como entender que em qualquer recanto da periferia onde haja um terreno se coloquem blocos e chapas de zinco, a que uma imprensa chama logo de residências, quando as autoridades aparecem? Como perceber que nos hospitais as enfermeiras cobrem 15.000 kwanzas por uma transfusão de sangue, a pessoas sem recursos, deixando o doente a morrer por falta desse precioso líquido? Pessoas preparadas entendem as mensagens de prevenção. Pessoas reparadas não se expõem vendendo os seus produtos na rua, no meio do trânsito infernal da capital. Pessoas preparadas cuidam da higiene nas suas vidas. Muitos pensadores já se debruçaram sobre as questões relacionadas com a educação, nomeadamente das crianças. Sem nos darmos conta estamos a reproduzir comportamentos negativos que vão retardar o nosso desenvolvimento. O foco deve estar sobre os educadores, professores e pais. A criança só pode conhecer o dever através de seus pais e mestres. É preciso que estes sejam para ela a encarnação e a personificação do dever. Isto é, que a autoridade moral seja a qualidade fundamental do educador. A autoridade não é violenta, ela consiste em certa ascendência moral. Liberdade e autoridade não são termos excludentes, eles se implicam. A liberdade é filha da autoridade bem compreendida. Pois, ser livre não consiste em fazer aquilo que se tem vontade, e sim em se ser dono de si próprio, em saber agir segundo a razão e cumprir com o dever. E justamente a autoridade de mestre deve ser empregada em dotar a criança desse domínio sobre si mesma. Palavras de um dos pensadores muito influente nestas questões de educação (DURKHEIM, 1973:47). O tema educação é nos muito caro, e deve ser também para toda a gente. Sem esse conceito, não progredimos. Todos os dias nos queixamos, nos lugares públicos, no estacionamento, no trânsito, nada na vida se faz sem educação versus respeito. Não podemos perder de vista estes valores. A olho nu a nossa sociedade parece não ter regras. As noticias que nos chegam dão conta de muitas coisas vão mal. Assaltos, violência contra donos de restaurantes, muita prostituição que agora se chama game; muitos pedintes na rua; muitos roubos inclusive da autoria de jovens licenciados. Enfim temos noticias de tudo o que é mau, nas redes sociais sobretudo. No Jornal o Pais lemos o que uma leitora escreveu e que pode servir de exemplo para aquilo que corre mal. “No Lubango anda muita gente pelas ruas sem fazer nada, ficam nas praças e jardins a incomodar quem passa. Alguns nem são angolanos. Os jardins da Sé Catedral, nem dá gosto por ali ficar. Poderia ser, como se vê na televisão dos outros países, com esplanadas e animação, mas não, estão lá os que vendem relógios falsos e feitiços. Também no jardim ao lado da maternidade e no que fica perto do Governo é a mesma coisa. As montras no Lubango, não dá gosto olhar, são feias. E também não dá gosto andar pela cidade. Aos fins de semana é só ficar em casa porque aí, se andares são só dores no corpo de tantos buracos. Não temos passeios. É uma tristeza mito grande. Espero que os nossos dirigentes leiam o jornal para verem como o povo se sente, não está nada bom. Uma leitora do Lubango queixando-se do estado da cidade. Estas queixas podem generalizar-se a todas as cidades do país. E o que é que isto tem a ver com a educação e com o respeito, perguntam os ouvintes. Tem a ver sim. Tem a ver com aquilo que vemos e sentimos. Para muitos cidadãos o estado de degradação dos seus locais de habitação, não os afecta. Tal como estado das suas próprias casas. Basta entrar num apartamento no centro de Luanda, para ser ver que ali não há quaisquer condições de habitabilidade. As sanitas partidas as portas arrancadas, tudo desfeito, e no entanto, os seus habitantes ao saírem para a rua podem vir cheios de marcas nas suas roupas e sapatos. Esse deixa andar é tão pernicioso a nível pessoal como colectivo. Reflecte-se na cidade e muitas vezes não é visível na repartição porque há quem tenha bons hábitos e se ocupe da limpeza e arrumação. A leitora falava da falta de passeios. Isso é comum em Luanda e quando há, está cheio de sofás velhos onde se deitam os seguranças dos bancos. Como a leitora diz é preciso chamar a atenção das autoridades. Deve-se começar por algum lado. Nos adultos a coerção educa. Arrumar uma cidade é dizer aos cidadãos – agora está nas vossas mãos. Agora cuidem dela e quem estragar paga. Organizar e não impor disciplina é perder tempo e dinheiro.


Luísa Fançony | Directora Geral
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Língua portuguesa

A língua portuguesa

No meu espaço das quintas-feiras, expresso as minhas emoções, que se voltam para os mais distintos assuntos. A utilização da língua portuguesa é um assunto recorrente, fazendo eco de trabalhos de pesquisadores. Digamos que o uso da língua portuguesa na nossa sociedade "é o problema que estamos com ele" e que tem preocupado várias pessoas. Carlos Almeida é uma delas. Também as professoras Maria Helena Miguel e Maria Antónia Alves , que lançaram  um livro intitulado LINGUA PORTUGUESA - TIRA DÚVIDAS DE A a Z. têm essa preocupação. O objectivo do livro é esclarecer de uma forma rápida, simples e sucinta, as dúvidas que a língua portuguesa vai apresentando no dia a dia. A ideia é solucionar problemas linguísticos de forma simples e clara. Há na verdade muitos problemas no uso da língua portuguesa inclusive por pessoas licenciadas e que são especialistas em determinada matéria, mas que deslustram, por vezes as suas intervenções, por usarem de forma errada algumas expressões. O presente do conjuntivo é uma das grandes dificuldades. Médicos, advogados e outros técnicos dizem que seje, que esteje de uma forma tão convincente que parece não terem dúvidas. Dúvidas todos temos diariamente. É com s ou com z, é com é ou com i. Enfim não é fácil. Portanto os parabéns às duas autoras. Há em todas as sociedades que se preocupam com a utilização da língua. Ao ler o Jornal de Letras ficámos a conhecer um senhor chamado ANTÓNIO HOUAISS que foi um dos maiores estudiosos da língua portuguesa no Brasil e que Jacinto Rego de Almeida que escreve a crónica, diz que tem muitos inimigos em Portugal devido ao acordo ortográfico de que foi o maior impulsionador e artífice no Brasil. Como sabem os ouvintes somos defensores de que a língua portuguesa em Angola deve ser bem falada isso sem deixar de ter a nossa pronúncia e as frases e palavras que vamos introduzindo, cheias de ritmo e conteúdo. As senhoras Maria Helena Miguel e Maria Antónia Alves colocaram à nossa disposição um livro cheio de exemplos, uma ferramenta muito útil para todos. Não devemos ter complexos de tirar dúvidas, para nos expressarmos e escrevermos num português correcto. Repito que isto não tem nada a ver com a pronuncia e o ritmo que  nós angolanos, damos à língua. E já agora vamos deixar também a nossa dica, a propósito de uma imitação daquilo que os nossos irmãos brasileiros dizem:

 

ASSISTIR

Assistir – estar presente, acompanhar, auxiliar, ajudar, socorrer

Tem se verificado a utilização do verbo assistir para todas as circunstâncias onde seria mais conveniente utilizar outro verbo:

Em vez de “assistir televisão” deve-se utilizar  - ver televisão, ver um filme

Assiste-se a um bom espectáculo, a uma cerimónia, a qualquer forma de actividade humana - quer dizer a acção quando decorre nós estamos presentes. Essa actividade gravada, vamos vê-la pela televisão.

"O doente foi assistido pelos bombeiros" "Quem assiste o passageiro, é a aeromoça"

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